Lisbela e o Prisioneiro

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Crítica Cineweb

14/08/2003

Comédia romântica temperada com o frenético molho nordestino pop de Guel Arraes, diretor dos sucessos Caramuru - A Invenção do Brasil e O Auto da Compadecida. A história aposta num par inusitado. De um lado, está Lisbela (Débora Falabella), moça romântica do interior que troca tudo na vida por uma sessão de cinema. Para ela, os sonhos nascem na telona, onde os heróis são os atores americanos dos filmes, exibidos em capítulos na cidadezinha da Zona da Mata pernambucana onde ela mora. Toda semana, ela espera com ansiedade a seqüência da semana anterior, do mesmo modo que se acompanhasse uma novela.

Não compartilha de sua paixão pelo cinema o noivo Douglas (Bruno Garcia), o mauricinho de província que se gaba de ter morado no Rio de Janeiro, guardando dessa temporada um sotaque deslocado, só para fazer pose. Mas, para poder ficar a sós com a noivinha, ele topa o arranjo. O problema é que ela insiste em prestar atenção ao filme.

Está para entrar na vida de Lisbela o personagem que vai virar toda esta rotina pelo avesso, o conquistador Leléu (Selton Mello). Sem eira nem beira, ele viaja pelas estradas do Brasil a bordo de um caminhãozinho fuleiro, trabalhando ora como vendedor de elixires duvidosos, ora como ator de encenações mambembes da Paixão de Cristo. Feito marinheiro, Leléu vai destroçando corações a cada porto e arrumando encrencas. A última foi a conquista da sinuosa Inaura (Virginia Cavendish) que, para seu azar, é mulher de um matador de aluguel, que atende pelo sugestivo nome de Frederico Evandro (Marco Nanini). Quase flagrando Leléu na sua cama, Frederico persegue o safado pelas estradas do Brasil. Até que os destinos de Frederico, Leléu, Lisbela e Inaura cruzam-se todos na mesma cidade, onde o pai de Lisbela é o chefe da polícia, o tenente Guedes (André Mattos).

Com um elenco afinado, quase todo vindo da encenação teatral da peça original de Osman Lins, a parte do imbroglio cômico-romântico funciona bastante bem. O ritmo frenético é garantido pela montagem, que acumula cerca de quatro mil cortes, segundo o próprio diretor. Já não se pode dizer o mesmo dessa ligação de Lisbela com o cinema, que não soa convincente, ainda mais depois da chegada da televisão a praticamente todos os rincões do país - como ilustra maravilhosamente o clássico Bye Bye Brasil (1979), de Cacá Diegues. O fato de que os ídolos da tela sejam todos de muitas décadas atrás - Lauren Bacall, Rita Hayworth, etc. - parece um tanto artificial, porque nada no filme sugere que a história aconteça no passado. Portanto, está aí uma referência que poderia ter sido atualizada. Este detalhe compromete um pouco o ritmo na primeira parte. Depois que a aventura de Leléu e Lisbela deslancha, embalada no contraponto cômico do casal formado pelo cabo Citonho (Tadeu Mello) e Francisquinha (Lívia Falcão), tudo corre muito melhor.

Outro ponto forte é a trilha sonora, coordenada pelo diretor teatral João Falcão e o músico André Moraes, com diversas participações de Caetano Veloso, como cantor e compositor.

Neusa Barbosa


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