A Estranha Família de Igby

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À Procura de Igby: comentário em áudio do ator Kieran Culkin e do diretor Burr Steers (sem legendas)
Cenas excluídas com comentário do diretor (sem legendas)
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Crítica Cineweb

07/08/2003

A grande sacada deste filme de estréia do escritor/diretor Burr Steers é sintonizar na veia da família disfuncional americana sem cair nos muitos chavões do assim chamado filme independente americano - um rótulo que, muitas vezes, tem mais significado como marketing do que qualquer outra coisa.

A narrativa roda num grande flashback - nada de novo - para explicar uma primeira seqüência para lá de provocativa. Melhor não adiantar nenhum detalhe para deixar aos espectadores o sabor da descoberta. Com certeza, nem todos gostarão da alta carga de humor negro que ela carrega. Mas quem tiver disposição para continuar na sala terá muitos motivos para não se arrepender.

Igby (Kieran Culkin), o protagonista, tem apenas 17 anos e é um ótimo exemplo de como um jovem dessa idade pode fugir completamente ao figurino proposto por American Pie. Ele tem, é claro, as mesmas pulsões sexuais de qualquer garoto da sua idade. A vantagem é que também apresenta neurônios em ótimo estado e uma saudável busca de autenticidade nas relações afetivas - esta, uma marca fundamental da adolescência que os filmes descerebrados costumam ignorar.

Igby nasceu numa típica família branca, anglo-saxã e protestante, com dinheiro o bastante para freqüentar os melhores colégios. Esforçou-se e conseguiu ser expulso de praticamente todos. Olhando de perto seus parentes, pode-se entender o que há de errado aqui. O pai, Jason (Bill Pullman), sofre de crises de esquizofrenia e está internado. A mãe, Mimi (Susan Sarandon), é ferozmente autoritária, distante e depende de um arsenal de comprimidos para manter-se em pé. O irmão mais velho, Oliver (Ryan Phillippe), é, na descrição do caçula, um "típico jovem republicano que está se graduando em neofascismo na Universidade de Columbia". Uma definição bem afinada com o sarcasmo lúcido do jovem Igby, que tirou seu simpático apelido do ursinho de pelúcia (seu nome verdadeiro é Jason Slocumb Jr.).

Se há uma coisa que Igby não quer da vida é ser herdeiro desta longa linhagem de neuróticos e arrivistas. "Eles são frios até os ossos", analisa com precisão seus parentes. Ponto para o rapaz, que busca uma identidade nova num mundo em que ele ainda não conhece quase nenhuma regra de funcionamento. Assim, Igby vai ter que pagar a conta da inexperiência fugindo da proteção financeira de casa e arriscando-se sozinho em Nova York Lá, ele divide o apartamento com a namoradinha secreta de seu padrinho casado, D.H. Banes (Jeff Goldblum), a bela Rachel (Amanda Peet) - uma "dançarina que não dança e cujo melhor amigo é um pintor que não pinta", em mais uma cínica definição de Igby.

Sua descoberta das mulheres começa aí, com Rachel e também com Sookie (Claire Danes), ambas mais velhas. Mas é curioso como Igby não parece tão criança em comparação com elas e outros seres desse mundo confuso onde ele transita. Kieran Culkin prova que tem fôlego para carregar um filme. O jovem protagonista, de 20 anos, que é bom ator desde pequeninho (basta olhar como era engraçado nas duas edições de O Filho da Noiva, com Steve Martin), sai definitivamente da sombra do irmão que um dia foi astro-mirim - como é que ele se chamava mesmo? Ah, Macaulay Culkin, o cometa que ardeu breve no sucesso Esqueceram de Mim (1990).

Neusa Barbosa


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