Dirigindo no Escuro

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Crítica Cineweb

06/08/2003

Com este novo filme, lançado em pleno Festival de Cannes/2002 - o primeiro a contar com a presença em carne e osso do arredio diretor - Woody Allen cria mais um produto de sua receita na casa DreamWorks, a da aparente simplicidade. Muitos, críticos à frente, não lhe perdoam a aparente conversão à banalidade e ao humor físico, quase pastelão, com certeza freqüente em algumas cenas. Muito menos descontam de sua ficha o fato de que agora temas mais sombrios francamente não lhe interessem. Woody Allen rendeu-se, então, ao comercialismo?

Para quem acompanha a trajetória do mais nova-iorquino dos diretores - definição que vale mesmo diante da comparação inevitável com Martin Scorsese e Spike Lee - fica difícil acreditar. Ainda mais que a simplicidade desta comédia, como das últimas da safra mais recente - caso de Trapaceiros e O Escorpião de Jade - não passe de ilusão. Woody está mais leve e solto, é um fato. Quem sabe mais feliz, ao lado da ex-enteada, a jovem Soon-Yi, pivô do escândalo que o separou de Mia Farrow. Mas a aparente singeleza desta história não deixa de encobrir críticas ferozes, a primeira delas contra a Hollywood que tanto o despreza e da qual ele mantém uma sólida distância.

O argumento não poderia ser mais cínico. Um cineasta caído em desgraça na meca do cinema, Val Waxman (Allen), recebe uma nova chance pelas mãos da ex-mulher, a produtora Ellie (Téa Leoni), que o trocou, anos antes, por um tubarão da mesma indústria, Hal Jaeger (Treat Williams). Precisando deste trabalho como um desesperado, Val tem um ataque de pânico e fica cego, psicossomaticamente, na manhã do primeiro dia de filmagem. Ciente de que seu cliente precisa desta última tábua de salvação profissional, seu agente (Mark Rydell) não tem dúvida: monta a maior maracutaia para esconder de todo mundo o problema de Val.

A parte mais deliciosa do filme é, com certeza, esta tramóia no set, da qual é parte fundamental o intérprete do diretor de fotografia chinês (Barney Cheng). Seguem-se incidentes hilariantes com uma assanhada jovem atriz (Tiffani Thiessen) e uma jornalista bisbilhoteira (Jodie Markell). As tramas paralelas incluem a reaproximação de Val e Ellie e um saboroso reencontro dele com o filho metaleiro do primeiro casamento (Mark Webber). As referências simpáticas aos franceses explicam porquê o filme foi escolhido para abrir o Festival de Cannes em 2002. Com o perdão do trocadilho, é preciso ser cego para não ver a sutileza deste filme.

Neusa Barbosa


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