Uma Paixão em Florença

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Crítica Cineweb

04/08/2003

O roteiro de Belinda Haas consegue a proeza, sem muito esforço, de ser melhor que a tradução brasileira de Up at the Villa, livro de W. Somerset Maugham. Se no livro que circula aqui os diálogos são traduzidos numa linguagem " modernosa", no filme são respeitados. Além da ótima direção de Philip Haas, a reconstituição de época é primorosa, feita pelo produtor e figurinista Paul Brown em parceria com o diretor de fotografia Maurizio Calvesi. E a Toscana é um cenário apropriado para este que começa como mais uma história de amor, mas que transforma-se num suspense, cheio de intrigas, jogos políticos e paixões proibidas.

Em 1938, a Itália vive momentos conturbados com a ascensão do fascismo. Com toda a miséria que assola o país, existem alguns poucos que conseguem viver em lugares luxuosos e sem maiores preocupações com o que acontece à sua volta. Mary Panton (Kristin Scott Thomas, de O Paciente Inglês) faz parte desta elite. Jovem e linda, esta inglesa quando fica viúva e à beira da falência vai para Florença passar o verão em uma villa emprestada por amigos. Uma casa pequena para os padrões de sociedades emergentes, mas extremamente requintada, cercada de belos jardins e decorada com poucos móveis e quadros de grandes pintores renascentistas.

Mary recebe uma proposta de casamento e tem poucos dias para dar uma resposta. Enquanto seu pretendente, Sir Edgar Swift (James Fox), viaja para uma reunião na qual será convidado para ser o governador de Bengala, na Índia, a jovem conhece dois outros homens que podem transformar radicalmente sua vida.

Num jantar oferecido pela Princesa San Ferdinando (Anne Bancroft - numa interpretação marcante), ela é cortejada pelo americano bon-vivant Rowley Flint (Sean Penn). Na volta para a villa, após uma pausa para uma conversa, que o homem consegue tornar íntima, e um cigarro, ela o abandona no meio da estrada. Consegue escapar à investida do galanteador. Foge dele e dirige velozmente pela estrada. Perturbada com a corte do americano, quase atropela um jovem, Karl (Jeremy Davies), um estudante de Artes e refugiado austríaco.

Começa aqui a reviravolta na vida desta inglesa até então fútil. Uma mulher prestes a se casar por mero interesse, que desnorteada com a investida do charmoso americano, comove-se com a fragilidade deste estudante. Depois de uma carona, percebe sua fome, convida-o para jantar e acaba levando-o à cama, por pura piedade. Tudo seria perfeito e esquecido, se na noite seguinte Mary não encontrasse Karl no seu quarto. O jovem confessa estar apaixonado e se desespera quando Mary lhe diz que sente apenas ternura e compaixão. Enlouquecido, Karl aponta-lhe uma arma, provocando um terrível acidente.

O trágico episódio, numa época e lugar convencionais, causa transtornos e traz sérias conseqüências para todos à volta. O suspense, bem conduzido pelo diretor Philip Raas, junta a beleza de Kristin ao carisma de Sean Penn, numa química perfeita. A bela trilha sonora e a fotografia que capta toda a beleza da região da Toscana conseguem transformar os 116 minutos do filme numa viagem inesquecível.

Ana Vidotti


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Comentários:
  • 22/02/2015 - 11h27 - Por BESSAMOR Gostei, da forma como foi elaborado o roteiro, baseado na obra do magnifico, W. SOMERSET MAUGHAM. Atuação marcante e impecável de ANNE BANCROFT, bem como de KRISTIN SCOTT-THOMAS. SEAN PENN, de quem gosto muito, neste filme, está muito careteiro, completamente diferente de outros filmes. Não conseguiu passar autenticidade, porém, no conjunto, um filme de muito bom gosto. RECOMENDÁVEL.
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