Um Domingo Qualquer

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Crítica Cineweb

04/08/2003

Sem conhecer direito as regras do futebol americano,a maioria dos brasileiros costuma encarar esse esporte como uma espécie de versão moderna da luta de gladiadores - impressão reforçada pelos potentes choques entre jogadores enormes, ainda mais usando ombreiras e capacetes. Apesar disso, nenhum espectador desconhece o jogo real que está sendo disputado neste novo drama de Oliver Stone (Nixon, The Doors) - o conflito entre o idealismo do esporte como arte e a ambição de quem o encara como uma rentável modalidade comercial.

Como é seu hábito e estilo, Stone tem mão pesada e filma maravilhosamente. A fotografia e a montagem são pontos altos, trabalhando a favor de mostrar as batalhas campais de cada partida deste campeonato, em que o técnico Tony D'Amato (Al Pacino) faz uma visita ao inferno: perdeu quatro partidas em seguida e seu melhor jogador, o veterano Jack Rooney (Dennis Quaid), está seriamente contundido.

D'Amato tem outra inimiga poderosa: sua patroa, a jovem herdeira e executiva Christina Pagniacci (Cameron Díaz). Impaciente com a maré de azar do treinador, no cargo há 30 anos, a moça coloca no seu pé um novato cheio de teorias, disposto a puxar seu tapete (Aaron Eckhart, Seus Amigos, Seus Vizinhos).

Os novos tempos ferozes também entram em campo junto com os certeiros golpes do novo atacante, Willie Beamen (Jamie Foxx). Depois de um começo desastroso, vomitando em pleno gramado, o rapaz ganha topete o bastante para ignorar as instruções do treinador e tomar conta do time. Arriscando-se em terreno de Spike Lee, Stone coloca em cena a animosidade entre jogadores negros e brancos, outro fator de instabilidade nos vestiários e fora deles.

Não resta dúvida de que se trata de um filme de atores, magnificamente conduzidos. Al Pacino exala uma energia e vulnerabilidade ainda maiores do que recentemente em O Informante, um dos grandes momentos de sua carreira. Merecidamente, ocupa o centro da maioria das cenas e tem os melhores diálogos. Aos 60 anos, é um ator em plena maturidade e aqui despido de exageros que às vezes prejudicam suas atuações (como em Advogado do Diabo). Surpresa mesmo é que mesmo Cameron Díaz não faça feio em seus confrontos com Pacino, mostrando que seu talento está em evolução desde Quero Ser John Malkovich.

Nesse quadro, só há para lamentar os exageros de Stone. Ele poderia ter poupado o público de pelo menos uma meia hora destas longuíssimas 2h40 de duração - tempo desnecessário à narrativa, embora permita diversos solos dos bons atores. Também poderia ter um momento de modéstia, evitando escalar a si mesmo num papel de comentarista esportivo que, embora pequeno, apenas demonstra sua total inabilidade como ator - ainda mais em comparação com a boa forma do resto do elenco, que registra até uma ponta do veteraníssimo Charlton Heston.

Neusa Barbosa


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