O Exterminador do Futuro 3 - A Rebelião das Máquinas

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Crítica Cineweb

31/07/2003

Sem nenhuma dúvida, 2003 vai entrar para a história cinematográfica como o ano das seqüências. De super-heróis à ficção científica, segundas e terceiras partes de êxitos anteriores emplacam nos multiplexes, atraindo milhares de incautos espectadores para mais uma sofisticada, porém torturante continuação. Essa resignação e paciência do público pagante são, sem dúvida, os fatores que fundamentam a mediocridade de muitos diretores e roteiristas americanos, que parecem ter jogado a toalha no que tange à originalidade.

E, infelizmente, O Exterminador do Futuro 3 não foge à regra. Trata-se de mais uma produção que não entusiasma, não surpreende e nem mesmo agrega qualquer valor ao filme original. Isso pode ser visto na crítica e por meio do público internacional, escandalizados os dois não apenas com a violência, mas também pelos tropeços da trama e pela fragilidade do argumento central. Embora siga à risca os anteriores, A Rebelião das Máquinas consegue errar e, com isso, minar qualquer chance de se fazer um filme clássico de ficção científica.

Muito embora os efeitos especiais do primeiro Terminator, de 1984, pareçam caseiros atualmente, é inegável sua marca na memória dos espectadores, que lotaram as salas de cinema para sua continuação, já em 1991. Isso se deve ao talento do diretor James Cameron? Não há como saber. O que se sabe é que ele rechaçou o terceiro roteiro, reescrito por seis escritores, tal como fizeram Tony Scott, Ridley Scott e Michael Bay. Sobrou para as mãos pouco experientes de Jonathan Mostow, cujo o trabalho mais conhecido é U-571 - que passou quase despercebido pelo Brasil.

Depois de torrar mais de US$ 200 milhões, Mostow conta a seguinte história: John Connor (Nick Stahl), agora com 25 anos, vive clandestinamente para não ser localizado pelos robôs do futuro. Tudo está relativamente tranqüilo, até o momento em que chega a versão feminina do robô assassino, T-X, Terminatrix (Kristanna Loken), a mais sofisticada máquina de matar criada por Skynet, o supercomputador que irá dominar o mundo. E, como não poderia deixar de ser, o velho Terminator T-800 (Arnold Schwarzenegger), voltará para proteger o futuro líder da humanidade.

Apesar da história ter tocado platéias pelo mundo com seus antecessores, o saldo final de O Exterminador do Futuro 3 ficou muito abaixo do esperado. Previsível e longa demais, a produção arrasta uma história desconexa, com inequívocas falhas de desenvolvimento da trama. E o que deveria salvar o filme, os famosos efeitos especiais, empalidecem frente à qualidade de trabalhos como O Senhor dos Anéis, Matrix e X-Men. As interpretações também parecem longe do que se convenciona chamar de arte dramática. Arnold Schwarzenegger parece tão cansado, talvez pelo fato de seu modelo ser obsoleto frente ao Terminatrix (mais destrutível, mais forte e mais inteligente do que o T-800), que não coopera para promover entusiasmo do público. Outra frustração vem pelo ator que interpreta John Connor, Nick Stahl, que parece mais perdido e perplexo do que a própria platéia. Nesse sentido, o mundo parecia mais seguro nas mãos do então jovem ator Edward Furlong, no segundo filme. Isso para não falar de Claire Danes, que dá ao filme um quê romântico bastante forçado.

Tudo isso torna O Exterminador do Futuro 3 numa péssima alternativa de entretenimento? Pode ser. Mas, não deixa de ser interessante o poder que a destruição em massa tem para atrair o público para o cinema. Talvez seja pelo fato de as pessoas quererem extravasar.

O que não se pode negar é que os espectadores, seja lá o motivo que os leve a ver mais uma vez o robô Schwarzenegger, poderão se deliciar com algumas piadas bastante divertidas, que usam recursos e personagens dos filmes pregressos. A beleza destrutiva de Kristanna Loken merece igualmente bastante atenção. Só que o primeiro ponto positivo pode ser considerado um alívio cômico, o segundo, um alívio para os olhos.

Cineweb-31/7/2003

Rodrigo Zavala


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