Esperando o Messias

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Crtica Cineweb

15/01/2003

A Argentina pode estar passando pela pior crise econômica e social de sua história, mas há tempos o cinema do país não dava sinais de tanto vigor. Como no Brasil da ditadura militar, quando cineastas e compositores populares conseguiram produzir algumas de suas melhores obras, apesar da rigorosa censura, as dificuldades do país de Maradona parecem também estimular os cineastas a produzir um cinema de resistência. Mas ao contrário do Brasil dos militares, os argentinos não recorrem a metáforas e preferem tocar o dedo na ferida, desnudando a triste realidade de nossos vizinhos do Mercosul.

O recente O Filho da Noiva, de Juan José Campanella, que concorreu ao Oscar de filme estrangeiro em 2001, ambientou uma terna história de amor de um casal de idosos numa Argentina já dando os primeiros sinais de desmoronamento econômico. Agora, em Esperando o Messias, do jovem diretor Daniel Burman, o cenário já está semelhante ao mostrado nos noticiários de TV. Como seus personagens, à procura de um rumo para suas vidas, a Argentina retratada por Burman é a do desemprego, da mendicância, das favelas que proliferam na periferia de Buenos Aires.

Burman, de família judia, lança ainda mais um componente étnico e cultural ambientando a história num grupo de personagens judeus que enfrentam suas dificuldades às vésperas do Natal, a principal festa do cristianismo, que eles também comemoram de acordo com suas tradições religiosas.

Ariel Goldstein (Daniel Hendler), filho de Simon (Hector Alterio, de O Filho da Noiva) e Sara (Gabriela Acher), assiste ao aprofundamento da crise econômica e busca encontrar um emprego e ao mesmo tempo saída para suas angústias pessoais. Próximo dele, trabalhando no restaurante da família de Ariel, a bela Estela (Melina Petriela) dá sinais de que está apaixonada, mas o rapaz parece não levar a sério.

Cinegrafista de festas religiosas judaicas, consegue emprego noturno numa emissora de TV. Com um contrato temporário de seis meses, troca a noite pelo dia na ilha de edição da empresa. Lá ele conhece a jornalista Laura (Chiara Caselli), que mantém um relacionamento ao ponto do rompimento com uma moça de sua idade. Laura não se considera homossexual e diz para sua companheira que está aberta para relacionamentos com homens. É o que bastava para se aproximar ainda mais de Ariel.

Numa história paralela, o bancário Santamaría (Enrique Piñeyro) perde o emprego e é abandonado pela mulher. Recebe do banco um punhado de papéis do tesouro chinês, que naquele momento nada valem, mas não consegue convencer a esposa de que é vítima da globalização. Jogado na rua apenas com uma cadeira velha e uma mala de roupas, Santamarya sobrevive vasculhando latas de lixo em busca de documentos de identidade roubados e abandonados pelos ladrões. Ele telefona para as pessoas roubadas e consegue algum trocado com a entrega dos papéis.

Como não tem onde morar, acaba tomando banho na pia de um banheiro de uma estação de trem praticamente abandonada e que foi colocada à venda pelo Estado. Lá encontra a faxineira Elsa (Stefania Sandrelli), cujo marido está na prisão, e sobrevive com as gorjetas deixadas pelos usuários.

As histórias de Ariel, Laura, Santamaría e Elsa começam a se cruzar quando Laura decide fazer uma reportagem com o ex-bancário. Todos dividem a mesma solidão e buscam um futuro melhor. Pode ser que a chegada do Messias, como ironiza Ariel, seja a saída. Pode ser a saída para o próprio país, também abandonado e sem rumo.

Cineweb-10/1/2003

Luiz Vita


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