A Estrada Perdida

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25/07/2003

O diretor americano Davi Lynch filma os próprios pesadelos. Esta pode ser a explicação para os climas que ele cria numa filmografia toda própria, cuja estranheza e vínculo com o macabro remetem à obra de outro David, o canadense Cronenberg. Cronenberg pisa em território mórbido, mas mais próximo da vida real - o traço mais perturbador de seus filmes, como Crash - Estranhos Prazeres. Lynch, não - ele cria universos paralelos, repletos de criaturas estranhas, mergulhadas dentro de uma maldição sempre inexplicável e num tempo estranhamente suspenso.

A Estrada Perdida marca a tentativa mais ousada do eterno bom moço Bill Pullman de subverter a própria persona cinematográfica. Nada mais distante, mesmo, do presidente aeronauta e herói que ele interpretou no megasucesso Independence Day, que o próprio Pullman veio lançar no Brasil, em 1996. Ele encarna Fred Madison, um bem-sucedido sax tenor. Morador de uma esplêndida mansão modernosa em Los Angeles, é casado com uma linda mulher, Renée (Patricia Arquette, em versão morena). No momento, está atormentado pela suspeita de que a mulher o trai. Na manhã seguinte, um vídeo misterioso chega junto com o jornal. Mostra simplesmente a fachada da casa. Os vídeos vão chegando nos próximos dias, revelando que alguém filmou a casa por dentro, inclusive o casal dormindo.

Chama-se a polícia, que não encontra nenhuma evidência de arrombamento. Os detetives procuram uma câmera, mas não há nenhuma, porque Fred as detesta. Quando o policial o interroga sobre a razão, responde: "Prefiro lembrar-me das coisas ao meu próprio modo, não exatamente como elas ocorreram". Aí, Lynch está colocando na boca do personagem sua posição de fé diante do cinema-verdade, visto que sua câmera mostra exatamente o modo como seus personagens vêem as coisas, seus delírios e pesadelos. O que realmente aconteceu é o que menos importa.

Numa festa, Fred tem um encontro sinistro - um homem de seus 50 anos, cara branca como a de um ator de teatro kabuki e cabelo raspado (Robert Blake). Com um celular na mão, o homem sem nome prova ao incrédulo Fred que tem o dom da ubiqüidade - está presente na festa e na casa de Fred ao mesmo tempo. Mais aterrorizante ainda do que o anão que aparecia em sonho ao agente Cooper (Kyle Maclachlan) em Twin Peaks, este homem aparece diante de Fred enquanto este está acordado. O músico corre para casa, apavorado, arrastando a mulher.

Nessa mesma noite, Fred tem a sensação de atravessar paredes, enquanto Renée tira a maquiagem no banheiro. Ele sonha que esquartejou Renée. Quando acorda, encontra o corpo da mulher inerte sobre a cama. Jura que não a matou, mas é preso e condenado à morte. E o filme está só na metade. É mais uma obra de Lynch que não se enquadra em nenhum gênero e propõe ao espectador um jogo de imaginação que só ele pode decidir decifrar ou não.

Neusa Barbosa


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