Amores Parisienses

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Crítica Cineweb

15/01/2003

A platéia acostumada aos densos filmes do veterano cineasta francês Alain Resnais, como Hiroshima, Meu Amor (1959), O Ano Passado em Marienbad (1961) e Providence (1977), pode se surpreender com Amores Parisienses, com roteiro de Agnès Jaoui e Jean-Pierre Bacri, uma comédia leve assim como já era Fumar/Não Fumar (1993), dos mesmos roteiristas e diretor.

Resnais não deixa de perscrutar a alma humana, mas utiliza a música para tornar a narrativa mais leve. A inclusão, em play-back, de famosas canções francesas acompanha as emoções ocultas de cada personagem, que funcionam como um comentário às situações comuns que enfrentam - paixão, sedução, enganos e decepções.

Já na abertura, o espectador é surpreendido com a imagem de um general alemão cantando, com a voz de Joséphine Baker, "J'ai Deux Amours: Mon Pays et Paris", para explicar sua recusa em explodir toda Paris durante a II Guerra Mundial, enquanto uma professora de História, Camille (Agnés Jaoui), acompanha um grupo de turistas num roteiro pela cidade.

Camille, personagem central do filme, representa as angústias e a dificuldade do ser humano contemporâneo em se relacionar num mundo competitivo, que prioriza o sucesso profissional, em detrimento da realização pessoal. Com o despreparo emocional, ela encontra o suposto homem ideal em Marc (Lambert Wilson), um corretor de imóveis mais interessado em conquistar as mulheres do que em se envolver amorosamente. Um verdadeiro predador disposto a sempre enganar, tanto no amor quanto nos negócios, para sempre levar vantagem. Camille percorrerá toda a via-crúcis da mulher que pensa estar vivendo a grande paixão de sua vida.

Intelectual da família, ela vive sendo cobrada pela irmã Odile (Sabine Azéma) para abandonar a rigidez de seus estudos e procurar alguém que a faça feliz. Sabine, numa ótima interpretação, é uma mulher prática e um tanto perua, que acredita ter o melhor casamento do mundo. Mas nem tudo é como aparenta. Por mais que Odile tente ver a vida através de um filtro, as pessoas à sua volta têm dificuldades. E Camille, sentindo-se pressionada por todos à sua volta, só encontra um pouco de consolo ao lado do amigo Simon (André Dussollier), um apaixonado pela jovem.

Amores Parisienses é uma fábula moderna narrada com uma ironia sutil, onde os diálogos são o ponto alto da ação. Uma comédia inusitada e original, com um excelente elenco, mas que peca na duração, principalmente na seqüência final, que pode deixar no espectador a sensação de que o filme excede os 120 minutos originais.

Cineweb-10/1/2003

Ana Vidotti


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