Extermínio

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07/11/2003


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

23/07/2003

A bem da verdade, pode-se dizer que se trata de um filme de terror. Mas nunca um daqueles convencionais. Não é mesmo mais um daqueles exemplares em série de franquias de terror adolescente, que pregam sustos com barulhos súbitos, sombras atrás das portas e machados sacados na penumbra, com litros de sangue artificial jorrando pela tela. Há todo um suspense em crescimento, de uma história que semeia seu clima sinistro desde as primeiras seqüências. Bem ao gosto do diretor Danny Boyle, autor de pequenos sucessos como Trainspotting e Cova Rasa.

Vinte e oito dias depois de sofrer um acidente quase fatal, o bike-boy Jim (Cillian Murphy) acorda do coma num hospital completamente vazio. Vaga pelos corredores e não encontra um enfermeiro, nenhum sinal de vida. Apenas uma desordem por todo canto, como se alguma catástrofe tivesse atingido o lugar. Saindo à rua, a perplexidade continua. Em plena luz do dia, as ruas de Londres não revelam o menor movimento.

Quando Jim entra numa igreja, o silêncio é rompido por gritos terríveis. Os primeiros humanos que encontra parecem um bando de mortos-vivos, como que tomados de hidrofobia. Ele corre da turba e é resgatado por uma dupla de jovens, Selena (Naomie Harris) e Mark (Noah Huntley). Só então descobre que um estranho vírus tomou conta de boa parte do mundo em volta - até onde se sabe, pelo menos, já que agora não há nenhum sistema de comunicação mundial ao alcance deles.

O segundo ato da trama - um roteiro de Alex Garland, autor de A Praia, também filmado por Boyle - começa neste aprendizado de convivência com as leis da selva pós-apocalíptica. Há poucos humanos saudáveis e eles devem fugir do contágio dos doentes, que se amontoam em hordas e atacam indistintamente, como cães raivosos. Se alguém for infectado, os sadios não têm mais do que vinte segundos para executá-lo, se quiserem salvar a própria pele. Foi com esse instinto predador que Selena e Mark se salvaram.

Logo mais, eles vão travar contato com outros sobreviventes, o taxista Frank (Brendan Gleeson, de Gangues de Nova York) e sua filha adolescente, Hannah (Megan Burns), que viviam ilhados num apartamento. Este será o núcleo básico a compartilhar não só esses instintos de sobrevivência aguçados, com olho vivo para o ataque dos doentes e uma aflita busca aos alimentos escassos, além de uma tímida mas imprescindível afetividade.

Um terceiro ato inclui o encontro com uma unidade do exército, chefiada pelo major Henry West (Christopher Eccleston, um habitual ator de Boyle). Nessa parte, a história revela suas intenções mais viscerais. Ao final, as impressões sobre a natureza humana não são das mais edificantes. Já sobre a criatividade da dupla Boyle-Garland, pode-se ser bem mais otimista.

Uma curiosidade é que Extermínio circula nos EUA com dois finais - um deles acrescenta quatro minutos a mais ao filme, a partir do fim exibido na versão brasileira. Espera-se que se repita aqui o mesmo que aconteceu na Inglaterra, ou seja, que o final alternativo conste do lançamento em DVD, para que se possa comparar os dois.

Neusa Barbosa


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