A Promessa [1996, de Jean-Pierre e Luc Dardenne]

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Crítica Cineweb

07/07/2003

Este drama dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne crava seu foco no mundo dos imigrantes ilegais da Europa e dos europeus que se beneficiam impunemente de seu dinheiro. Na linha de frente, estão Roger (Olivier Gourmet) e seu filho de 14 anos, Igor (Jérémie Rénier), ambos parte de uma rede que transporta imigrantes da África, da Ásia e também da Europa do leste, alojando-os em condições precárias e explorando seu trabalho a baixo preço. Além disso, enganam estes estrangeiros que, em geral, mal dominam noções da língua local, entregando-lhes falsos vistos de permanência, preenchidos pelo próprio Igor.

Igor se tornará a consciência crítica da história, porém, a partir da morte de um dos imigrantes, Amidou (Rasmane Ouedraogo), ao cair de um andaime na construção de uma casa - acidente provocado pela pressa do trabalhador de escapar da fiscalização que chegava na obra. Antes completamente indiferente à sorte desses imigrantes que desfilam diariamente em sua vida, o menino descobre no acidente uma espécie de limite moral para si mesmo, contrapondo o pragmatismo selvagem de seu pai, que oculta o corpo e a notícia da morte da viúva (Assita Ouedraogo), ao mesmo tempo em que faz de tudo para que a mulher, que acabou de chegar de Burkina, na África, saia de sua casa.

Assombrado pela promessa que fizera ao agonizante, de cuidar de sua esposa e filho, Igor torna-se uma espécie de anjo protetor de Assita e seu bebê, assumindo uma postura que o fará entrar em severo conflito com seu pai, empenhado a todo custo em evitar problemas com a polícia. Ao mesmo tempo, a história insere alguns incidentes particularmente elucidativos da intolerância feroz que muitos habitantes do Primeiro Mundo dedicam aos imigrantes - como a cena em que dois motoqueiros, não contentes em urinar na mulher e seu bebê do alto de um viaduto, atacam-nos a bordo de suas motos, destruindo sua bagagem, já que não conseguem atingi-los diretamente.

Como Ken Loach, os irmãos Dardenne não cultivam nenhuma admiração pela ordem mundial criada pela globalização. E são, como o diretor inglês, capazes de colocar o dedo em situações humanas de profunda ressonância. Este trabalho, que antecede os premiados Rosetta (Palma de Ouro em Cannes/99) e O Filho (melhor ator em Cannes/2002 e o único filme dos diretores até agora exibido no circuito comercial brasileiro), constitui um digno exemplo de uma cinematografia empenhada, clara, contundente e que consegue, longe dos apelos fáceis, transpor os limites da emoção sem pieguice e das questões sociais e políticas sem partidarismos.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 08/01/2013 - 11h14 - Por Anderson Überkönnenstein Eu o assistirei. Estou curioso para ver a dose de realismo equilibrado, pois é a minha interpretação deste comentário, segundo Neusa Barbosa; assim, estes irmãos belgas parecem-me personagens que pertencem a um mundo que não os pertencem, devem ser ótimos críticos sociais que usam a arte cinematográfica para expressar fatos intrigantes.
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