Conto de Outono

Conto de Outono

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Sinopse

Magali (Béatrice Romand) é uma viúva de meia-idade que vive isolada numa propriedade rural. Solitária, deseja encontrar uma companheiro e, para tanto, conta com a ajuda de suas únicas duas amigas.


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Crítica Cineweb

03/07/2003

Antes sujeitas a permanecer ao lado dos maridos até que morte os separasse, hoje, graças ao divórcio, não é raro encontrar mulheres novamente solteiras na casa dos quarenta anos. Elas são independentes e tão seletivas quanto receosas de encarar um novo relacionamento, ainda abaladas pela decepção do anterior. A solução para muitas é evitar uma outra relação, apoiadas em desculpas como "eles preferem as mocinhas ou são todos comprometidos", e suprir a carência emocional dedicando-se aos filhos e ao trabalho - o que, em muitos casos, resulta em carreiras extremamente bem-sucedidas.

Embora viúva e não divorciada, a protagonista de Conto de Outono (1998), o último da série Contos das Quatro Estações de Eric Rohmer, faz parte desse grupo de mulheres de meia-idade que vivem sozinhas. Magali (Béatrice Romand) é uma pequena produtora de vinhos que, aos 45 anos, vive isolada em sua propriedade rural. Procura um companheiro, mas não faz nada para encontrá-lo, ou seja, nunca sai de casa e passou a dedicar todo o tempo ao trabalho, depois que a filha se casou e o filho se mudou para a cidade.

"Milagres não acontecem para mim", diz Magali, que compartilha sua desilusão com duas amigas que, rapidamente, se prontificam a ajudá-la. A primeira delas é a namorada de seu filho Léo (Stéphane Darmon), Rosine (Alexia Portal), que a apresenta ao professor de filosofia - personagem do qual Rohmer parece gostar muito -- com quem, até pouco tempo, mantinha um caso. A outra "boa alma" é a bela Isabelle, uma mulher bem casada, dona de uma livraria e que atualmente se ocupa com os preparativos do casamento da filha. Ela coloca um anúncio no jornal sem que a Magali desconfie, pois esta reprova por completo a opção.

Rohmer dá às três mulheres do filme temperamentos extremamente fortes. Elas são manipuladoras e calculistas mas, principalmente, imprevisíveis. Os homens ficam à mercê dessa força feminina e, sem muita opinião, são facilmente convencíveis. O amor é aqui discutido não no plano dos sentimentos, mas no do pensamento, assim como o diretor fez em quase toda sua filmografia. Em Contos de Outono, no entanto, as personagem de Rohmer não falam tanto sobre si e suas aflições. É através das ações ou da falta delas que se descobre suas personalidades. O diretor nos propõe, então, olhar para as pessoas e, sem julgamentos, tentar entender não as atitudes mas os sentimentos que as levaram a cometê-las.

Luara Oliveira


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