O Que Fazer em Caso de Incêndio

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Crítica Cineweb

18/06/2003

Certa vez, o jornalista e escritor americano William Burkley Jr. alertou seus leitores sobre os perigos do idealismo: "É interessante, mas quando ele se defronta com a realidade, seu custo se torna proibitivo". Apesar de um tanto pessimista, sua análise encaixa-se muito bem no enredo do divertido O que Fazer em Caso de Incêndio.

Com um misto de comédia e nostalgia, o diretor Gregor Schnitzler (Finlândia) traz às telas a história de seis amigos que, durante a ocupação americana em Berlim Ocidental, lutaram por uma sociedade anárquica, rechaçando o capitalismo selvagem e os títeres dos opressores (aqui, no caso, a polícia). Inspirados pelos grupos terroristas que se difundiram na Alemanha na época, o grupo constrói uma bomba caseira para explodir uma mansão abandonada (símbolo da decadência alemã nas mãos dos americanos).

No entanto, como são terroristas amadores, a bomba em questão só explode doze anos depois, quando o grupo já havia se desintegrado. Exceto por Tim e Hotte, todos os demais já haviam há muito abandonado seus antigos ideais, tornando-se respeitáveis cidadãos alemães. Por isso, devem correr contra o tempo para apagar qualquer pista que os envolva no caso, principalmente o filme que mostra toda a construção do explosivo.

O bem-humorado choque ideológico entre os personagens é potencializado pela seleta equipe de atores, estrelas do cinema alemão como Til Schweiger (Alta Velocidade). As fortes performances, apenas prejudicadas por alguns clichês da trama, garantem o divertimento, ao mesmo tempo em que sensibilizam o espectador por meio dos conflitos inerentes às histórias de sonhos nem alcançados nem esquecidos.

Ágil, o filme conta também com uma excepcional trilha sonora, usada à exaustão por Schnitzler. Nela podem ser encontradas pérolas do punk rock, que incendiaram as mentes revolucionárias da década de 70, até hits mais recentes dos embaixadores da música experimental, o Radiohead. Escolhas bastante oportunas que denotam não apenas as divisões temporais do enredo, como as transformações dos personagens.

O dualismo dos protagonistas frente a suas crenças carrega também um forte traço de contestação social. Cada personagem é, na verdade, ícone de determinada camada popular alemã, rendida à globalização e ao consumo, tal como Tim e Hotte são exemplos de uma esquerda falida e jogada ao ostracismo por seus próprios membros. Até porque, como bem ironizava o pensador alemão Herbert Marcuse, "nem todo o problema que se tem com a namorada deve-se necessariamente ao modo capitalista de produção".

Rodrigo Zavala


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