Vida Bandida

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Crítica Cineweb

14/06/2003

Barry Levinson, premiado com o Oscar de melhor direção pelo drama Rain Man (1988), já havia provado ter um timing perfeito também para comédias com Mera Coincidência (1997). Neste seu novo filme, Vida Bandida, mais uma vez o correto trabalho com os atores garante se não um filme memorável, pelo menos uma comédia diferente das últimas produções hollywoodianas do gênero.O argumento é bastante simples: dois simpáticos ladrões de banco que, em meio aos assaltos, se apaixonam por uma mesma mulher. Impossível não pensar em Butch Cassidy & Sundance Kid, Oscar de melhor roteiro de 1969 e enorme sucesso de público. Mas o roteiro de Harley Peyton permite um, por assim dizer, aprofundamento na discussão dos relacionamentos entre os personagens, criando inclusive um triângulo amoroso inexistente em Butch Cassidy.

Bruce Willis é Joe, homem bonitão que age antes para pensar depois, presidiário que conhece o hipocondríaco Terry, interpretado pelo ator Billy Bob Thornton, numa penitenciária do Oregon. Numa atitude impensada e arrojada, Joe rouba um caminhão para fugir da prisão, levando consigo um atordoado Terry. Após conseguirem despistar a polícia, conversam sobre os planos para o futuro e decidem fazer uma seqüência de assaltos a bancos para financiar um resort no México.

Educadíssimos e decididos a não usar de violência - leia-se roubar sem dar um único tiro - usam um recurso pouco comum: vão à casa do gerente do banco, onde se instalam na noite anterior ao crime para, na manhã seguinte, entrarem no banco antes de sua abertura ao público. Sem jamais abandonar o estilo "bandidos, porém simpáticos", eles sentam à mesa do jantar e tentam deixar as vítimas à vontade. A televisão logo começa a dar destaque aos "bandidos hóspedes", tornando-os celebridades.

Com a ajuda de um primo de Joe como motorista, o aspirante a dublê Harvey (Troy Garity, filho da também atriz Jane Fonda), a dupla vai aumentando o seu pé-de-meia. Até aparecer Kate (Cate Blanchett), a mulher por quem os dois se apaixonam que quase os faz mudarem os planos iniciais de uma longa parceria na aposentadoria. E, para complicar ainda mais, ela não consegue se decidir por apenas um deles - afinal, o sensível e previsível Terry é a parte que falta ao impulsivo e sedutor Joe para que ela viva com o homem perfeito.

Bruce Willis mostra mais uma vez que ao lado de bons atores consegue ter uma interpretação muito mais honesta do que estamos acostumados a ver na série Duro de Matar. Barry Levinson extrai o melhor tanto de Billy Bob Thornton, como o obcecado por planejar cada ação enquanto se martiriza com suas doenças imaginárias, e Cate Blanchett que, completamente liberta de personagens mais sérias como em Elizabeth (drama pelo qual foi indicada ao Oscar de melhor atriz em 1999), interpreta uma dona de casa frustrada que redescobre a vontade de viver quando cai na marginalidade.

Um filme que cumpre muito bem a intenção de puro entretenimento - as boas atuações e os diálogos inteligentes fazem com que a platéia não perceba o tempo passar.

Ana Vidotti


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