Todo Poderoso

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Crítica Cineweb

05/06/2003

"O que você faria se pudesse ser Deus por sete dias?", pergunta o cartaz do filme. O espectador, na fila, começa a divagar sobre como usaria os poderes divinos. E quando está sentado na sala vê que, apesar de ser "o alfa e o ômega, o princípio e o fim", a única coisa que o personagem principal de Todo Poderoso consegue ser na verdade é Jim Carrey. Claro, um Carrey mais moderado e contido, mas com todos os gags e exageros vistos em O Máscara (1994) e O Mentiroso (1997).

Trata-se da história de Bruce Nolan (Carrey), um repórter trapalhão que, sem emprego e sofrendo todo o tipo de infortúnio, blasfema contra Deus e está prestes a renegar sua religião. O Senhor (Morgan Freeman) não vê com bons olhos a situação e o procura para fazer um acordo: fique com meus poderes por uma semana, enquanto eu tiro férias. Como se o mundo não tivesse problemas suficientes, para que Deus permitisse ao abobado Nolan cometer todo o tipo de catástrofes.

Mesmo assim, essa loucura divina dá resultados positivos ao filme, que incrivelmente conseguiu bater a bilheteria de Matrix Reloaded nos Estados Unidos. Algumas cenas são bastante hilárias, como por exemplo, quando Nolan divide sua sopa de tomate ao meio, numa claríssima sátira ao livro do Êxodo, ou quando faz um meteoro cair em um parque para conseguir um furo de reportagem.

No entanto, o bom do filme se resume a essas e outras boas situações. Irregular, envereda para o perigoso gênero da comédia romântica, evidenciado pela participação de Jennifer Aniston, que faz a namorada de Nolan. Desta forma, o desenrolar da trama fica descomprometido com o que parecia ser o enredo. Quem mais sai penalizado em toda essa história parece ser o veterano Morgan Freeman, que mais uma vez se vê em uma produção banal, depois do pavoroso O Apanhador de Sonhos.

De qualquer forma, o filme não deixa de ser revelador, ao mostrar certa metamorfose de Carrey desde Ace Ventura (1994). O ator, nos últimos anos, preocupou-se em não ater-se demais às performances humorísticas, ao desenvolver outras nuances como em O Show de Truman (1998) e O Mundo de Andy (1999), com os quais foi premiado com dois Globos de Ouro. No entanto, Carrey ainda enfrenta o preconceito de grande parte do público norte-americano, que o rotula como comediante pastelão. O que fez, por sua vez, suas incursões no mundo do drama não alcançarem o sucesso almejado. E Todo Poderoso prova mais uma vez que é o público quem manda.

Rodrigo Zavala


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