Hulk

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Crítica Cineweb

02/06/2003

A bela Jennifer Connelly não tem dado sorte em seus relacionamentos amorosos no cinema. Casada com o matemático esquizofrênico John Forbes Nash no filme Uma Mente Brilhante, ela agora se apaixonou por outro cientista problemático: Bruce Banner (Eric Bana) que, contrariado, fica mais verde do que Shrek e sai destruindo tudo o que encontra pelo caminho. E, ao contrário do ogro criado pelo estúdio DreamWorks, não possui o menor senso de humor.

Na trilha das adaptações de personagens de histórias em quadrinhos para o cinema, chega Hulk, o esperado filme de Ang Lee. Depois do longo período de mistério que cercou a adaptação, mesmo os fãs mais fiéis do gibi criado por Stan Lee se sentirão frustrados com o resultado final. O competente diretor de O Tigre e o Dragão entregou para a platéia uma espécie de King Kong esverdeado, um herói que parece nunca ter sido uma pessoa real. Até os efeitos especiais - muito limitados para quem procura por esse tipo de atração - mostram um personagem que não se consegue disfarçar ter saído de uma tela de computador. É mais um boneco de desenho animado do que uma horripilante criação digital.

Ang Lee, competente ao retratar dramas familiares em filmes anteriores como Banquete de Casamento e Razão e Sensibilidade, não aprofunda os conflitos entre o jovem cientista e seu pai (interpretado por Nick Nolte), responsável por transformá-lo num ser violento e horripilante, durante experimentos de manipulação genética. Nolte, tão descabelado como no dia em que foi preso por dirigir embriagado, está mais assustador do que sua criatura.

Seguindo parcialmente a história original, Lee apresenta o anti-herói antes mesmo de seu nascimento, quando seu pai, cientista a serviço do Exército americano, busca em laboratório encontrar uma fórmula que acelere a cicatrização de ferimentos e possa ser usada em soldados feridos em guerra. Mas esbarra na proibição de efetuar testes com seres humanos. Contrariando seus superiores, testa a fórmula no próprio corpo e, sem saber, passa para o filho, em gestação, as mudanças em seus genes.

O menino cresce com os pais mas será afastado da família por um grande trauma. Já adulto, trabalha como pesquisador num laboratório na companhia de Betty Ross (Jennifer Connelly), filha de um general (Sam Elliott) que comandava o programa secreto para o qual o pai de Bruce pesquisava. Um acidente no laboratório, com a exposição à radiação gama, provocará a mudança no corpo de Bruce, transformando-o num ser dotado de extraordinária força física e uma grande revolta.

É na transformação do pacato humano em monstro que o filme assume até um caráter involuntariamente cômico. É risível o calção usado pelo cientista que nunca é destruído ao ser alargado pelas volumosas formas da criatura verde. Bruce cresce e encolhe e o calção permanece inalterado. Poderia até se transformar no sonho de consumo de quem se submete a regimes e perde todo o guarda-roupa por causa do vai-e-vém dos quilinhos.

Quem conhece a história ou já assistiu ao seriado trash dos anos 70 sabe que durante todo o filme Hulk será perseguido pelos militares, comandados pelo pai de Betty, por ser considerado uma ameaça à segurança nacional. Para fugir de seus caçadores, ele atravessa o país, dando saltos gigantescos, no único momento em que parece desfrutar finalmente da liberdade que sempre sonhou.

Cineweb-2/6/2003-19.13

Luiz Vita


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