Brown Bunny

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Sinopse

Bud (Vincent Gallo) é um motociclista profissional que após participar de uma competição ruma à Califórnia. Em sua viagem vai descobrindo um pouco mais sobre si e sobre a vida.


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Crítica Cineweb

12/05/2005

Desde quando estreou no Festival de Cannes há dois anos, Brown Bunny, do norte-americano Vincet Gallo, rendeu muita, muita e muita polêmica. Tudo por conta da explícita cena de felação que acontece no clímax do filme. Na época, Gallo trocou desaforos com a crítica – mais notoriamente com o também norte-americano Roger Ebert, um dos mais importantes da atualidade – e saiu de mãos abanando na competição. Dois anos depois, o cenário e o filme são outros. Tanto que Gallo e Ebert já ‘fizeram as pazes’ quando o filme estreou nos Estados Unidos e o crítico elogiou esse novo corte.

A versão original tinha cerca de duas horas e tudo acontecia de forma muito mais lenta do que a versão exibida nos cinemas comercialmente, com pouco mais de 90 minutos. No entanto, a tal cena está lá, intacta. O que há de diferente é a duração de tudo que vem antes do clímax. As seqüências estão bem mais enxutas. Para alguns, Gallo acabou eliminando boa parte de seu filme, deixando de lado o tempo próprio em que suas ações aconteciam causando um certo incômodo (positivo para uns, negativo para outros), agilizando a viagem do protagonista. No entanto, em Brown Bunny ainda está a essência da idéia de Gallo: um homem solitário com o pé na estrada. O que lembra em muito os road movies típicos dos anos 70.

Uma espécie de faz-tudo, Gallo (que, entre outras coisas, escreveu, dirigiu, produziu, editou e protagonizou o filme) pode ser confundido como um egocêntrico, o que não seria lá um grande exagero. Mas, em certos casos, o egocentrismo tem suas vantagens, principalmente quando se trata de uma egotrip, como esta. O filme de Gallo vai além de um esforço do cinema independente, é, na verdade, um projeto pessoal, em mais de um nível. Com o seu exército de um homem só, o cineasta consegue fazer um trabalho com muito mais honestidade e humanidade do que outros colegas que têm um batalhão no seu set.

Comparado, por exemplo, a Irreversível, o filme-escândalo do festival do ano anterior, Brown Bunny sai vitorioso. A começar pelo fato de – ao contrário do que parece – não ser oportunista. Diametralmente oposto ao filme de Gaspar Noe, que se vale de uma quase infindável seqüência semi-explícita de estupro para fazer sua fama. O sexo no filme de Gallo tem uma razão de existir, uma urgência compensatória até então se foi auto-negada pelo protagonista.

É certo que Brown Bunny vai causar muito barulho e discursos combatentes dos mais puritanos. Isso é cegueira de direita, julgando a parte pelo todo. O filme de Vincent Gallo é, na verdade, uma obra instigante, abordando de forma propositadamente contida assuntos complexos, como a perda, o medo e a fuga eterna. Incompreendido agora, mas que terá muito a dizer no futuro.

Alysson Oliveira


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