Embriagado de Amor

Ficha técnica


País


Extras

Formato de tela: Widescreen anamórfico
Disco 1: Menus interativos
Seleção de Cenas
Som: Dolby Digital EX
Disco 2:
Cenas excluídas
Comercial
"Blossoms & Blood" - apresentação de 12 minutos com Adam Sandler e Emily Watson
Foto-montagem
Trailers
Teasers


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

14/05/2003

Depois de armar seu conceito a partir de longos filmes-painéis repletos de personagens (Boogie Nights e Magnólia), o diretor e roteirista Paul Thomas Anderson não precisou de mais do que enxutos 91 minutos para desenrolar uma louquíssima história de amor, que consegue fazer de suas inúmeras excentricidades uma força, a começar pela escalação do espalhafatoso comediante Adam Sandler (O Paizão) para o papel principal, ao lado da inglesa Emily Watson.

Em Embriagado de Amor, ele centra o foco em Barry Egan (Adam Sandler), comerciante a um passo da loucura. Com um emocional totalmente travado, ele compra dezenas de caixas de pudim para acumular milhagem na promoção de uma companhia aérea e se vê controlado a todo momento por suas sete irmãs. Elas são neuróticas e enxeridas, mas também é verdade que têm um pouco de razão para preocupar-se com o mano, sujeito de tempos em tempos a acessos de fúria. Nesses momentos, o normalmente passivo vendedor é capaz de arrebentar uma porta de vidro arremessando um martelo ou destruir o banheiro de um restaurante a murros.

Uma figura como essa não parece capaz de atrair um anjo louro de olhos azuis e silhueta esguia como Lena (Emily Watson, de Ondas do Destino e Assassinato em Gosford Park). A expressão "o amor é cego" nunca assentou tão bem a um par assim, que profere talvez o diálogo mais esdrúxulo de uma cena de cama que o cinema já produziu - que menciona "esmagar rostos" e "arrancar olhos". Intercalando o romance com uma trama paralela envolvendo chantagistas contra Barry - onde se destaca Philip Seymour Hoffman, ator habitual de Anderson - o diretor e roteirista parece voar a toda velocidade em diálogos demolidores, sempre pontuados por música ou ruídos paralelos, traçando uma radiografia do avesso de uma América povoada por uma das faunas humanas mais bizarras que a imaginação é capaz de conceber.

O foco fechado em tão poucos personagens permite a Anderson um exercício de síntese que provavelmente foi o que mais o motivou a tentar este novo território. Libertar Sandler de sua ultrapoderosa persona cômica (um caso mais pegajoso ainda do que o de Jim Carrey) foi com certeza outro dos desafios que o motivou - plenamente vencido. Só um cego não enxergará aqui que Sandler tem outras possibilidades como ator do que bancar o debilóide que lhe dá tanto dinheiro em comédias como O Rei da Água. Uma outra qualidade do filme é compor uma história de amor absolutamente imprevisível, livre dos clichês açucarados que costumam contaminar o gênero. Aqui, tudo pode acontecer.

É fato que há também um bocado de exercício de estilo e alguns excessos interpretativos poderiam ser podados - caso de uma cena histérica de Philip Seymour Hoffman na porção final. No final de contas, muitos dos que apreciam Anderson poderão preferir que ele volte ao estilo de seus filmes anteriores. Afinal, depois da sinfonia de Magnólia, este trabalho não passa de um modesto café-concerto. Mesmo assim, é saudável que o jovem diretor que mais segue as pegadas do amigo Robert Altman não tenha se acomodado a uma fórmula.

Neusa Barbosa


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