S1m0ne

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Crítica Cineweb

14/05/2003

Já não se pode mais usar o velho ditado de São Tomé: "Ver para crer". Com a invasão da realidade pelo mundo virtual, não é preciso estar diante de um objeto para acreditar em sua existência: basta agora olhar para sua imagem. Antes mesmo do advento da televisão, que consolidou definitivamente a cultura imagética em nossa sociedade, uma pintura surrealista do belga René Magritte já levantava a questão. Na tela, abaixo de um cachimbo, Magritte escreveu:"Isto não é um cachimbo" ("ceci n'est pas une pipe"). O objeto está apenas representado na pintura e, sendo assim, não pode ser manuseado nem tampouco aceso.

A discussão já roubou tempo de pensadores como o pesquisador inglês Chris Jenks, os franceses Paul Virilio e Alain Robe-Grillet, o alemão Walter Benjamin e até mesmo do grego Platão com seu mito da caverna e a teoria sobre o sofista. Em S1m0ne, de Andrew Niccol, o sofista de Platão, que usa argumentos falsos com se fossem verdadeiros, é o cineasta decadente Viktor Taransky (Al Pacino). Outrora indicado ao Oscar, ele espera recuperar o sucesso e a auto-estima com a produção Sunrise, Sunset, mas a estrela principal, Nicola Anders (Winona Ryder), desiste na última hora de protagonizá-lo. Desesperado, ele apela para o gênio da computação Hank Aleno (Elias Koteas) que desenvolveu um software capaz de dar vida a Simone, uma atriz digitalizada que, rapidamente, se torna a sensação do momento. O problema é que o repórter sensacionalista Max Sayer (Pruitt Taylor Vince) está disposto a descobrir cada detalhe da vida da nova e desconhecida estrela.

A beldade digital, graças à engenhosidade de seu criador, é capaz de dar entrevistas em programas de televisão e até mesmo gravar, ao vivo, um depoimento para a cerimônia da Academia. A comédia nem é lá grande coisa, apesar da boa participação de Pacino, mas tem o mérito de brincar com o conceito de celebridade e do culto à imagem. Confirmado pela fama das turbinadas popozudas, a imagem é tudo e suficiente para que milhares de pessoas espremam-se para ganhar um simples aperto de mão de um ícone televisivo ou cinematográfico.

Matrix foi mais longe ao desenvolver uma sociedade completamente virtual, mas S1m0ne já demonstra o quão facilmente, através da imagem, as pessoas podem ser manipuladas. Seguindo essa lógica, sábio é o comentário do poeta mineiro Murilo Mendes: "Só não existe o que não pode ser imaginado".

Cineweb-15/5/2003

Luara Oliveira


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