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Crítica Cineweb

14/05/2003

Estréia na direção do pernambucano Cláudio Assis - diretor de produção de Baile Perfumado (96) -, o filme colhe seu nome da intenção de definir com uma cor o tom das coisas envelhecidas e deterioradas. O roteiro (de Hilton Lacerda, também de Baile Perfumado) acompanha um grupo de personagens urbanos e perdedores, enredados numa teia de perversões e paixões sempre doentias e desencontradas.

Como naquele famoso poema de Drummond, cada pessoa ama outra que, por sua vez, ama outra ainda. Um açougueiro (Chico Díaz) é casado com uma crente devotíssima (Dira Paes) mas tem um caso complicado com uma amante. O cozinheiro é amado, sem saber, por um travesti e cozinheiro de uma pensão de periferia (Matheus Nachtergaele). Um hóspede da mesma pensão (Jonas Bloch) troca maconha por cadáveres, desviados por um funcionário do Instituto Médico-Legal (Everaldo Pontes), e que ele, por sua vez, fuzila em galpões abandonados. Vários desses personagens se encontram no botequim dirigido por uma mulher amargurada e boca-dura (Leona Cavalli).

É um universo cruel e sem concessões, portanto, esse delineado por Assis - que parece uma espécie de Sergio Bianchi pernambucano. Há cenas colocadas com um intuito inegável de incomodar - como a morte de um boi no matadouro. Mas a câmera (conduzida por Walter Carvalho) também incorpora cenas de rua e personagens comuns do Recife, uma das maiores metrópoles do país, atolada em problemas urbanos comparáveis aos de São Paulo e Rio de Janeiro. O recurso cria um clima quase documental, que é bastante positivo.

Mas a carpintaria dramática unindo a história dos personagens ainda deixa a desejar. Considerando que este é o primeiro longa de Assis, há espaço para acreditar numa evolução, desde que ele abra mão de parte do seu inequívoco desejo de chocar - até certo ponto, saudável - em favor de um aprofundamento dos personagens e situações e uma capacidade de olhar em mais direções. Não que se esteja pedindo concessões ao bom-mocismo - afinal, este é um mundo aparentado a Plinio Marcos e Nelson Rodrigues. Mesmo no submundo, é possível retratar a humanidade dos personagens de uma forma mais múltipla - até para fazer justiça a um elenco de atores tão magníficos e visivelmente empenhados.

Cineweb-14/5/2003

Neusa Barbosa


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