O Último Suspeito

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Crítica Cineweb

07/05/2003

Desde sua primeira cena, percebe-se que O Último Suspeito está impregnado por uma densa camada de nostalgia. Um sentimento que transparece no filme não apenas na vida de cada personagem, mas também na própria cidade que abriga a história, Long Island.

O próspero balneário americano da década de 50 tornou-se, como capta as panorâmicas do diretor Michael Caton-Jones, um lugar degradado pela marginalidade e banditismo. E o gradual abandono da cidade remete, de forma análoga, ao estado físico e mental de Joey LaMarca, personagem detonador dos dramáticos acontecimentos da história.

Vivido por James Franco (vencedor do Globo de Ouro de melhor ator por sua atuação em James Dean, TNT), Joey é um viciado em drogas que se envolve no assassinato de um traficante. Quando a polícia começa a investigar o caso, entra em cena um respeitado detetive de homicídios de Nova York, Vincent LaMarca (Robert De Niro), pai de Joey.

Quando o detetive encontra evidências de que seu próprio filho está envolvido no incidente, o filme mostra sua face mais conservadora: a desestrutura do núcleo familar como fonte de tragédias humanas. Não apenas Vincent se eximiu de suas responsabilidades familiares, como também possui um histórico recheado de relações problemáticas com o pai.

Essa profusão de rancores e promessas não cumpridas desperta demônios do passado que torturarão os protagonistas. Nesse caminho, a história se transforma em uma anedota perturbadora, que joga o espectador em um turbilhão de cenas emocionalmente brutais. "Você acha que por ser meu pai eu vou te amar?", chega a dizer Joey ao seu pai, num de seus encontros.

A dramaticidade das cenas são excepcionalmente bem acompanhadas pelo elenco, muito embora os diálogos deixem um pouco a desejar. Robert De Niro, James Franco e Frances McDormand, que faz o papel clássico de mulher quarentona abandonada, têm forte presença frente às câmeras, como de costume, e constróem com bastante sensibilidade um retrato ácido do que são as relações humanas.

Longe de um típico filme sobre dramas familiares, O Último Suspeito é uma história rude, que destrói qualquer percepção sobre o que é ser uma família feliz. E, mesmo que o diretor tenha optado por uma mensagem final repleta de esperança, detalhe que pode decepcionar a muitos espectadores, de fato, a produção tenta despertar demônios da própria platéia.

Cineweb-9/5/2003

Rodrigo Zavala


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