Conto de Verão

Conto de Verão

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País


Sinopse

O jovem Gaspar viaja ao balneário francês de Dinard na esperança de encontrar a garota por quem está apaixonado, Lena. Por conta do acaso, ele conhece Margot.


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Crítica Cineweb

07/05/2003

O maior atrativo das obras de Eric Rohmer, um dos grandes nomes da Nouvelle Vague, não é a composição de quadros memoráveis, mas o olhar investigativo lançado em direção às aflições e às dificuldades de relacionamento dos seres humanos. Em Contos de Verão¸ que integra a série Contos das Quatro Estações, composta também por Conto da Primavera (1990), Conto de Inverno (1992) e Conto de Outono (1998), ganha projeção a interpretação que os personagens fazem das situações corriqueiras e dos encontros fortuitos.

O jovem Gaspar (Melvil Poupaud) viaja ao balneário francês de Dinard na esperança de encontrar a garota por quem está apaixonado, Lena (Aurelia Nolin). Por conta do acaso, ele conhece Margot (Amanda Langlet), que estuda antropologia e trabalha na creperie da tia. A dupla se torna amiga e trava conversas que, aos poucos, revelam os sentimentos de Gaspar por Lena, Margot e por Solene (Gwenaëlle Simon), moça que se interessa pelo rapaz.

Através de Gaspar, que tem como companhia um violão, Rohmer explora o efeito místico da música. O jovem acompanha Margot em uma entrevista a um velho marujo, parte da pesquisa sobre uma antiga comunidade de pescadores da região, na qual descobre que as canções cantadas a bordo dos barcos eram utilizadas para ritmar o trabalho, tradição que propicia a interação aproximando os trabalhadores da realidade. O caráter coletivo e ritual da música passou a uma esfera estritamente individual que, diferentemente do passado, funciona agora como maneira de alienação (Gaspar se enfurna em casa para compor e recusa várias vezes os convites para sair com a amiga Margot).

De maneira mais complexa, esse auto-isolamento se manifesta nos relacionamentos de Gaspar. Ele revela seu incômodo em juntar-se a um grupo ("O problema não é comunicar, é ser") já que, na presença de outras pessoas, é forçado a abandonar seus pensamentos e fincar os pés na realidade, algo não muito fácil para o rapaz. Sobre Lena, ele diz: "Ela representa, para mim, o meu ideal", demonstrando seu interesse não pela menina mas por uma imagem dela projetada por sua própria mente. Os dramas dos personagens são perfeitamente humanos: eles pensam, vivem e deixam claras suas dificuldades diante do outro.

Cineweb-9/5/2003

Luara Oliveira


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