Kamchatka

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


País


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

30/04/2003

Não há praticamente uma farda à vista neste melodrama desenrolado em pleno nascimento da ditadura militar argentina, em 1976. Essa escolha do diretor e co-roteirista Marcelo Piñeyro (de Plata Quemada) revela a opção preferencial pela procura de uma certa originalidade, ampliando os limites de um eficiente melodrama tradicional, ancorado numa ótima espinha dorsal e um afinado elenco.

O narrador é o menino Harry (Matias del Pozo). Aos 10 anos, ele vê sua vida familiar transtornada pelo início de uma perseguição sem nome nem razão a seus pais, um advogado (Ricardo Darín) e uma bioquímica (Cecilia Roth). Juntamente com eles e seu irmão caçula (Milton de la Canal), Harry deixa sua casa às pressas, refugiando-se numa propriedade rural bastante afastada que ele nem mesmo sabe a quem pertence. Nessa vida clandestina, sobram perguntas e não há muito interesse dos pais em revelar respostas - em parte porque não desejam alarmar o filho com suas angústias adultas, em parte para não colocá-lo em maior perigo do que já está.

Ao recusar fornecer informações sobre a razão da fuga dos pais, o filme assume não só o ponto de vista do menino, compartilhando sua angústia de se ver privado do próprio nome, da escola e dos amigos, como explicita com clareza cristalina a arbitrariedade daqueles dias. Para ser perseguido político, bastava estar vivo, bastava alguém da alta cúpula decidir assim.

Um recurso eficaz para que o filme seduza a sensibilidade do espectador está em construir habilmente o rico mundo mental do menino. Harry mantém solta sua imaginação com as aventuras narradas num livro sobre Houdini, o mago escapista capaz de soltar-se de correntes no fundo da água e fugir de qualquer tipo de prisão. Kamchatka, que dá nome ao filme, é uma república asiática em que seu pai consegue sempre resistir ao assédio do garoto no jogo War - e vira símbolo de um lugar mítico em que a liberdade sempre encontra meios de sobreviver, mesmo quando tudo o mais já sucumbiu ao avanço irresistível da força bruta.

Uma curiosidade para os brasileiros está na interpretação da música O Calhambeque, sucesso de Roberto Carlos nos tempos da Jovem Guarda, só que aqui na voz de Caetano Veloso.

Neusa Barbosa


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança