A fraternidade é vermelha

A fraternidade é vermelha

Ficha técnica


País


Sinopse

Valentine é uma jovem modelo e estudante que, acidentalmente, atropela um cachorro. Quando o leva a seu dono, descobre que ele é um juiz aposentado, que costuma ouvir conversas de estranhos no telefone. A princípio ela fica indignada, mas sente curiosidade também.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

19/09/2020

Um toque ligeiro de realismo fantástico percorre a comédia dramática francesa Espírito de Família. Diretor também experimentado em roteiro e atuação, Éric Besnard compõe com pinceladas precisas de ironia e ternura o retrato de uma família que acaba de perder o patriarca, Jacques (François Berléand). Apesar disso, seu filho mais velho, o escritor Alex (Guillaume de Tonquédec), não deixa de vê-lo e falar diariamente com ele, encarando toda a perturbação da situação inusitada.

 
A morte do pai é o gatilho para que se revelem os perfis de um clã familiar de classe média, em torno de sua belíssima casa na baía de Quiberon, na Bretanha. A casa é o reino de Marguerite (Josiane Balasko), a viúva de personalidade forte que foi a responsável pela própria criação deste lar, aparentemente idílico, recheado de belos objetos, cercado por um belo jardim e a vista do mar - mas também impregnado de mágoas que a partida do marido fazem aflorar.
 
O duelo principal é de Alex com o pai morto, a quem ele cobra a ausência de atenções de uma infância solitária. Msmo sem ter visões do defunto, Marguerite, por sua vez, não esconde a frustração por ter ficado sempre para trás enquanto ele, fotógrafo famoso de esportes, viajava o mundo. O filho mais novo, Vincent (Jérémy Lopez), um neurótico empresário esportivo, é o único que parece não ter contas a acertar com a lembrança de Jacques - seu dilema é um casamento em ruínas, com a instável Sandrine (Marie-Julie Baup), mas realismo e decisão são tudo que falta a este casal.
 
O inventário de tantos rancores poderia dar ao filme um peso dramático excessivo. Mas o diretor/roteirista, aproveitando o seu magnífico e bem-entrosado elenco, consegue imprimir um equilíbrio entre o cômico e o trágico nestas relações, fazendo emergir o lado mais humano de cada personagem de maneira sutil e natural. Fora o detalhe de que é apenas Alex quem vê o pai morto, o que leva os demais membros do clã a consideraram que seu comportamento, habitualmente tão distante e racional, está tornando-se bizarro.
 
Alguns personagens secundários incorporam-se no devido tempo para que a trama tome outros rumos - a mulher de Alex, Roxane (Isabelle Carré), que chega para lidar com o possível fim do casamento; o filho do casal (Jules Gauzelin); e um jogador de Fidji (Papi Tokotuu) com uma outra crise , mais uma para Vincent administrar.
 
Por conta de um roteiro criativo e deste elenco afinado, o diretor cria uma série de cenas marcantes - como um jogo de rúgbi na praia; uma conversa na cozinha à noite; uma dancinha à la Zorba, o Grego; e um outro toque de realismo fantástico, quando a matriarca se recusa a sair da cama, sendo levada nela à praia também. 
Por essa riqueza de detalhes e alternância de atmosferas, Espírito de Família, ao final, entrega bem mais do que se supunha de início. Não é pouco para um filme que vai a um território que tantas outras comédias já visitaram e consegue surpreender. A maior qualidade é fazer humor sem nunca perder a inteligência. 

Alysson Oliveira


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança