Beirute, la vie en rose

Ficha técnica

  • Nome: Beirute, la vie en rose
  • Nome Original: Beirut, la vie en rose
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Espanha
  • Ano de produção: 2019
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 73 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Éric Motjer
  • Elenco:

País


Sinopse

Ao longo de alguns anos, o cineasta catalão Éric Motjer acompanha a vida de algumas das figuras mais conhecidas e tradicionais da elite cristã do Líbano, pessoas que mantiveram seus privilégios, fortunas e poder político enquanto diversas guerras sacudiam o país.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

08/09/2020

Documentário que teve sua première no Docs Barcelona, Beirute, La Vie en Rose, de Éric Motjer, aproxima-se de alguns dos mais destacados membros da velha elite cristã da capital libanesa, criando uma janela para expor valores e contradições que, sem serem exclusivos desta camada da sociedade local, flagram momentos capazes de expor uma parte do complexo caleidoscópio daquele país.
 
A câmera penetra alguns dos ambientes exclusivos em que moram e se movimentam integrantes do clã Edde e também o “sheik” Maurice Torbay - este um emigrante que fez fortuna na Venezuela e, ao contrário da maioria dos libaneses que se radicam no exterior, voltou ao país natal. 
 
Logo numa das primeiras sequências, um casal relembra os dizeres de uma camiseta que circulou há quase 40 anos atrás no alto círculo: “Vivo e bronzeado - Verão de 1982”. Que foi nada menos do que a época da invasão israelense no sul do Líbano, evento dramático que não interrompeu o apetite dos bem-nascidos por continuarem sua vida social, nas festas e nas praias.
 
A partir daí, o diretor identifica uma das características-chave desta elite, que se traduz num apego ao “joie de vivre”, haja o que houver. Afinal, pode-se não estar vivo amanhã. A imagem recorrente de um Rolls Royce deslizando às vezes entre ruas e prédios muito diferentes dos palácios habitados por esta camada é muito eloquente para evidenciar sua condição de habitantes de uma bolha privilegiada e de dinheiro antigo, que remonta aos tempos do mandato francês e do mito de que Beirute era a Paris do Oriente Médio. Esta é uma elite saudosista e há vários sinais de que também decadente. Mas ainda detém suficiente poder econômico e político para subsistir, o que comprovou nestas mais de três décadas em que o Líbano enfrentou uma série de guerras. 
 
Nada disso demoveu o instinto empreendedor de “sheik” Torbay, que, no momento do filme, investia na construção de um grande shopping center, perto da fronteira com a Síria devastada pela guerra civil. Torbay não se preocupa com os riscos desta vizinhança, dizendo que um dia a guerra vai acabar e aí os clientes virão em peso comprar, reconstruindo a vida. 
 
A instabilidade, portanto, é vista como parte do cotidiano. A socialite Viviane Edde lembra com detalhes o dramático momento vivido há anos, em seu sequestro. Roger Edde, por sua vez, recorda quando o Líbano estava sob controle sírio, em que ele recusou um convite para tornar-se presidente. Seu amigo, René Moawad, que aceitou, foi morto num atentado, 17 dias depois de tomar posse, em novembro de 1989. 
 
Depois do filme concluído, o perigo continua. Pelo menos um dos incríveis palácios filmados no documentário está em escombros, depois da explosão no porto de Beirute, em 4 de agosto de 2020. Mas nada indica que a disposição inabalável da elite em comportar-se como sempre será alterada. Afinal, em outros períodos dramáticos eles subsistiram - nem que refugiando-se no sul da França, como fez o clã Edde, enquanto Israel ocupava o sul do país.

Neusa Barbosa


Trailer


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