Baxter, Vera Baxter

Baxter, Vera Baxter

Ficha técnica


País


Sinopse

Vera Baxter reconta sua vida para uma desconhecida, a começar pelo seu casamento problemático, em que seu marido a usou como moeda de troca para seus devedores.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

08/09/2020

Marguerite Duras sempre foi a cineasta do tempo e do espaço. Corpos ocupando espaços em busca de investigar o seu tempo histórico. Baxter, Vera Baxter é outro degrau no seu experimento formal presente em filmes como India Song (roteiro e direção) e Hiroshima, Meu Amor (roteiro). Ao investigar a posição da personagem-título em relação, especialmente, ao seu casamento, a cineasta-escritora cria uma espécie de bolha enigmática que envolve a protagonista e será estourada mais cedo ou mais tarde.
 
Menos hermética do que em Hiroshima, Duras coloca a sofredora protagonista (Claudine Gabay) na frente da câmera contando a uma desconhecida (Delphine Seyrig) sua história de amor, desilusão e exploração. É uma narrativa triste e dura, dita de maneira seca, mas contraposta a uma música de ritmo e suingada e alegre de Carlos D’Alessio que atravessa o filme inteiro na mesma batida. A música, de pouco mais de 8 minutos, é repetida assim que acaba, criando uma espécie de efeito infinito que prende a todos – personagens e público – num círculo vicioso sem fim.
 
Tudo é narrado de maneira fria, acentuando o tom da tragédia, criando um distanciamento brechtiano que nos lembra o tempo todo que aquilo é uma dramatização. Dessa forma, Duras, que anos depois transformou o filme num romance, investiga a posição da mulher de seu tempo – o longa é de 1977 –: mãe, esposa, amante, independente, submissa. É um momento pós-anos de 1960 e a autora, colando duas mulheres conversando, parece indagar sobre os avanços e impasses do feminismo até então.
 
O longo relato de Vera é entrecortado por imagens do mar, com uma câmera estática captando águas que se movem. Já a fotografia de Sacha Vierny exalta a luz natural que invade a casa por meio de grandes janelas de vidro. São pequenos detalhes que podem marcar algo mais profundo no relato e na alma da protagonista. E, por fim, é preciso uma mulher para compreender outra mulher. Apenas por meio da desconhecida, ela consegue se encontrar no mundo, resgatar sua história com o marido abusivo que a usou como moeda de troca para pagar dívidas. É, em último momento, também uma história de sororidade, para usar uma palavra em voga, sobre como uma mulher pode ajudar outra a encontrar o seu próprio lugar sem precisar de nenhum marido ou amante para isso.

Alysson Oliveira


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança