Sementes: Mulheres Pretas no Poder

Ficha técnica

  • Nome: Sementes: Mulheres Pretas no Poder
  • Nome Original: Sementes: Mulheres Pretas no Poder
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2019
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 100 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Éthel Oliveira, Júlia Mariano
  • Elenco:

País


Sinopse

Documentário acompanha a campanha política, em 2018, de seis candidatas à Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro e à Câmara Federal, tendo como plataforma a defesa dos direitos humanos, da educação, do feminismo e da afirmação afrodescendente.


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Crítica Cineweb

06/09/2020

O assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, juntamente com seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março de 2018, chocou todas as consciências democráticas. Mas, se um dos objetivos desse crime até hoje não devidamente esclarecido era calar ativistas mulheres e negras, exatamente o contrário aconteceu - desde então, mais representantes destes dois grupos sub-representados na política brasileira têm alçado sua voz e conquistado lugares a nível estadual e federal.
 
Assinado pelas diretores Éthel Oliveira e Júlia Mariano, o documentário Sementes: Mulheres Pretas no Poder, refere-se exatamente ao aparecimento de novos nomes nas eleições de 2018, no Rio de Janeiro. O filme acompanha as campanhas políticas de algumas candidatas a deputadas estaduais e federais, todas elas carregando, de alguma maneira, o legado de Marielle, todas elas ligadas a partidos de esquerda.
 
Ex-assessora da vereadora assassinada, Mônica Francisco, candidata a deputada estadual (PSOL), é uma das que com mais desenvoltura pode assumir sua ligação política com Marielle. Vinda do morro do Borel, Mônica vincula-se diretamente à defesa do direitos humanos e encarna uma vertente evangélica progressista ainda pouco visível na cena política do País - ela é pastora. 
 
Arquiteta e urbanista, Tainá de Paula dá a largada à sua pré-candidatura à Assembléia Legislativa carioca pelo PCdoBcom um evento cultural marcado por apresentações de danças afro, demarcando um território de afirmação identitária cada vez mais sitiada pela pregação fundamentalista de algumas igrejas pentecostais. Jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e originária da Maré, outra candidata do PSOL ao pleito estadual, Renata Souza, enfatiza a necessidade do combate de uma narrativa que coloca a favela como “um lugar do medo”, dando aval a uma repressão policial que custa vidas negras em números assustadores. Professora e ativista de Duque de Caxias, Rose Cipriano, candidata a deputada estadual pelo PSOL, defende o espaço da educação pública. Outra professora, Jaqueline de Jesus, candidata pelo PT no estado, une à defesa da educação a representatividade da população trans. Finalmente, a vereadora campeã de votos em Niterói, Talíria Petrone, marca sua candidatura a deputada federal pelo PSOL com um dos posicionamentos mais aguerridos na afirmação dos direitos das maiorias tratadas como minorias ao longo da história brasileira: “Nunca foi tão necessário articular gênero, classe e raça”.
 
Acompanhando diversos momentos da campanha eleitoral de 2018, o documentário registra uma das contradições de um dos momentos mais polarizados da história do país - a mesma eleição que guindou ao poder um presidente e vários deputados de extrema-direita foi também aquela que houve, até aqui, o maior crescimento de candidaturas de mulheres negras, com 4.398 candidatas. No Rio, elegeram-se três delas na Assembléia Estadual - Renata, Mônica e Dani Monteiro (PSOL) - e Talíria elegeu-se para a Câmara Federal. Pelo seu histórico, todas elas mulheres preparadas para levar adiante o difícil debate que o País precisa fazer sobre a sua herança racista e machista, criando alternativas para um desenvolvimento social e humano mais equilibrado em futuro próximo.

Neusa Barbosa


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