Lantana

Lantana

Ficha técnica


País


Sinopse

O desaparecimento de uma mulher é o ponto de partida para o filme, que une a histórias de várias pessoas que, mesmo sem saber, podem estar direta ou indiretamente ligadas a ela.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

10/08/2020

O australiano Lantana pertence ao mesmo subgênero de filmes como Short Cuts e Magnólia, sobre a diáspora de um grupo de personagens cujas vidas pessoais e profissionais se cruzam, aqui nos subúrbios de Sydney. O ponto de partida, já mostrado logo nas primeiras imagens, é o corpo de uma mulher emaranhado nos arbustos que dão título ao longa.
 
Dirigido por Ray Lawrence, o filme parte da peça Speaking in tongues, do australiano Andrew Bovell, também responsável pelo roteiro. Mantendo-se fiel ao original, o longa cria uma estrutura sólida nos encontros e coincidências nas vidas dessas personagens que se cruzam. Leon (Anthony LaPaglia) é um policial casado com Sonja (Kerry Armstrong), mas que passa uma noite com uma colega das aulas de dança, Jane (Rachael Blake), separada do marido, Pete (Glenn Robbins). Valerie (Barbara Hershey) é uma psicanalista que acaba de lançar um livro sobre o desparecimento de sua filha adolescente e vive uma relação distante com seu marido, John (Geoffrey Rush).
 
Esse é o grupo central, e outras personagens, como vizinhos e colegas de trabalho, também se unem a eles. Tudo aqui conta - os pequenos detalhes que podem parecer casuais, mais cedo ou mais tarde, vão reverberar. Apesar de ter um crime ao centro e um policial como protagonista, Lantana não é um suspense – até é um filme de investigação, mas de outro tipo: de vida interior e dos impulsos das personagens.
 
E essas pessoas têm sérios problemas de comunicação. Quando Leon está correndo próximo de sua casa, por exemplo, ele literalmente tromba com outro homem (que só mais tarde descobriremos quem é esse personagem), quebrando o nariz do rapaz. Incapaz de se desculpar – a culpa era claramente sua –, o policial começa a o agredir e depois, com remorso, aceita um abraço. Outra cena: Valerie, como descobriremos, tem sérios problemas de desconfiança (especialmente com homens), o que a leva a gritar sem motivo aparente na rua com um sujeito, que sabemos ser o Pete.
 
LaPaglia é um força da natureza. Seu Leon é, ao mesmo tempo frágil e forte, a ponto de bater de frente com todos que atravessam seu caminho – em alguns casos, literalmente. Enquanto Armstrong é o contraponto ideal na sua interpretação. Ela não é frágil, é centrada e alegre, até que seu mundo desmorona com a traição do marido. Mas a grande revelação aqui é Blake, numa personagem da qual parecem irradiar todas as outras tramas. Não por acaso, a noite de sexo entre ela e policial é uma das primeiras cenas do filme. Parece que o ato de subversão deles é o que desencadeia uma sequência de eventos dolorosos ou até trágicos. Mas não pode se dizer que o filme seja moralista – pelo contrário, o ato deles é libertador, de certa maneira, na medida em que explicita tudo o que há de errado na vida dessas pessoas.

Alysson Oliveira


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