High Life

High Life

Ficha técnica


País


Sinopse

Um homem e sua filha pequena são os únicos sobreviventes numa nave espacial que saiu da Terra para pesquisar sobre buracos negros.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

27/07/2020

A ficção científica High Life está entre os melhores filmes da francesa Claire Denis. Não apenas porque ela leva ao espaço todo o estranhamento que é capaz de criar em seus grandes trabalhos, mas também por haver um frescor de algo novo aqui: sua primeira incursão no gênero e seu primeiro trabalho em inglês. Ao reconfigurar os termos desse tipo de narrativa, ela os toma para si, criando algo, se não completamente novo, pelo menos completamente diferente daquilo que se convencionou nos últimos anos.
 
Com raras exceções, as idas ao espaço recente se resumem às aventuras de tom juvenil e nostálgico. Denis, que assina o roteiro com Jean-Pol Fargeau, Geoff Cox e Andrew Litvack, está interessada na aventura humana fora da Terra, o que nos mantém humanos, apesar de tudo. Se num primeiro momento, o filme parece remeter a Solaris, é em Stalker que o longa irá desembarcar em sua jornada. O ser humano é o centro aqui, e o corpo que habita serve como uma espécie de mediador de relações entre a psique e a natureza, mas a tecnologia terá um papel importante.
 
Uma tal de “fuckbox”, um caixa gigantesca que simula uma relação sexual dentro da nave, é usada pela personagem de Juliette Binoche (com um penteado à la Rapunzel), uma cientista maluca chamada Dibs, o que causa, na mesma medida, risos de desconforto e fascinação. Que raios é isso e o que Denis quer dizer com essa geringonça? Que, não importa onde estivermos, somos feitos de matéria: músculos, sangue, vísceras, e o que mais estiver dentro das pessoas.
 
Os tripulantes e as tripulantes da nave têm como missão explorar buracos negros que deverão ajudar na energia rotacional da Terra. Todo mundo ali é condenado por algum crime, e encontrou em aceitar essa missão a chance de redenção. Mas isso parece mais uma desculpa quando, já em curso na nave, a cientista maluca começa a conduzir experimentos sobre reprodução no vácuo envolvendo Monte (Robert Pattinson) e Boyse (Mia Goth).
 
Pattinson, que filme após filme se afasta de Crepúsculo e se confirma como um grande ator, torna-se o centro do filme após algo dar errado, e ele ter que dispensar os corpos de seus colegas e suas colegas no espaço. Dada a cronologia fraturada da narrativa, isso acontece ainda no começo do filme, embora o fato só se dê mais tarde. Tendo, então, como companheira apenas uma criança e diálogos esparsos. É um microcosmos cada vez mais estranho o que se desenvolve dentro da nave, mas não alheio à obra de Denis. Por ser falado em inglês e ligado a um gênero, High Life pode parecer o filme mais acessível da diretora – mero engano, é desafiador e intrigante, deixando, ao fim, mais questões do que respostas – como sempre na obra dela.

Alysson Oliveira


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