Não Toque em Meu Companheiro

Ficha tcnica

  • Nome: Não Toque em Meu Companheiro
  • Nome Original: Não Toque em Meu Companheiro
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produo: 2020
  • Gnero: Documentário
  • Durao: 74 min
  • Classificao: 12 anos
  • Direo: Maria Augusta Ramos
  • Elenco:

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Sinopse

Em 1991, uma greve dos bancários abala o país que há pouco elegeu Fernando Collor presidente na primeira eleição direta pós-ditadura. Cento e dez funcionários da CEF são demitidos, gerando um movimento de seus colegas em prol de sua reintegração. Quase 30 anos depois, esses e outros bancários, além de intelectuais, discutem o Brasil de então e o de hoje.


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Crtica Cineweb

13/07/2020

Conhecida por filmes que radiografam instituições e momentos históricos - como Justiça (2004), Juízo (2013) e O Processo (2018) -, a documentarista Maria Augusta Ramos embarca numa viagem na história recente do País em Não toque em meu companheiro - que resgata episódios da greve dos bancários de 1991, desdobrando-se numa análise dolorosa, tanto quanto necessária, do Brasil conturbado de 2020.
 
O ponto de partida está num grupo de 110 funcionários da Caixa Econômica Federal, demitidos após a greve, e no formidável movimento de solidariedade que se formou entre seus colegas - que contribuíram com um percentual de seus salários para o Fundo de Greve, que permitiu sustentá-los até a sua reintegração, um ano depois.
Se é fato que o filme trata de sindicalismo e relações trabalhistas, certamente não se esgota aí, abrindo vertentes a partir de seu contexto político. Era o Brasil de Fernando Collor e sua propaganda pseudo-salvacionista da “caça aos marajás”, que surfava sobre um discurso neoliberal selvagem, reconhecível em sua retomada na era Bolsonaro-Guedes. 
 
É na busca do entendimento desse contraditório País entre esses dois momentos, 1991 e 2020, que o filme constroi sua complexidade, escudado nos depoimentos de diversos funcionários da CEF, entre integrantes do movimento de quase 30 anos atrás e outros mais jovens, em São Paulo, Londrina e Belo Horizonte, que foram os pólos da greve. Esse choque de gerações proporciona discussões sobre temas candentes, como a reforma da Previdência e o esvaziamento dos bancos públicos, como a Caixa, dentro da ótica neoliberal, obcecada pelas privatizações e o Estado mínimo.
 
O próprio caráter peculiar da Caixa pode ser entrevisto nas cenas documentando processos de atribuição de moradias populares - do programa Minha Casa, Minha Vida na Barra do Jacaré (PR) - e também nas singulares agências-barco, vistas em ação em locais remotos do interior do Amazonas, como Manaquiri e Anori. 
 
Estas situações, assim como as análises de dois dos mais lúcidos intelectuais do país, a filósofa Marilena Chauí e o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, fornecem elementos para que Não Toque em Meu Companheiro saia do trilho binário das discussões midiáticas e ofereça caminhos de reflexão genuína e plural. Como o fato de aquela geração que fez a greve 30 anos atrás era fruto de mobilizações anteriores, contra a ditadura militar, pelas Diretas-Já, pela redemocratização, a Constituição cidadã. Ao mesmo tempo, é inevitável constatar como é difícil o diálogo com quem não viveu tudo aquilo, como se vê numa conversa entre jovens e velhos bancários sobre sindicalismo - em que pese que todos concordam que aí uma renovação é preciso. 

De todo modo, Não Toque em meu Companheiro - nome tirado de um dos bottons solidários da greve de 1991 -  é capaz de genuinamente suscitar debates sobre a precarização do trabalho e aspectos singulares de nossa identidade, sem se propor a um receituário definitivo de como sair do impasse em que nos encontramos . O Brasil que encontrará, finalmente, suas saídas será resultado de um processo semelhante - olhar para o que fomos e instaurar novas formas de existir, superando as ilusões semeadas por déspotas populistas e seu trágico rastilho de destruição.

Neusa Barbosa


Trailer


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