The tender enemy

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Sinopse

No dia do noivado de Line, ela fica em conflito entre seu amor verdadeiro e o possível casamento de conveniência. Os fantasmas de seu pai e do amante de sua mãe aparecem por ali e, sem ser vistos, trocam confidências sobre Annette, mãe de Line, e talvez possam interferir nos acontecimentos.


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Crtica Cineweb

08/07/2020

Leveza, teu nome é Max Ophüls. O diretor, nascido na Alemanha, e com filmes produzidos também na França e nos EUA, assina em The Tender Enemy (1936), uma comédia elegante e sutil que apresenta todas as marcas de um estilo bem cultivado - discussão sobre as ilusões românticas, movimentos de câmera que valorizam os detalhes, fluidez na linguagem capaz de impregnar as imagens e os espectadores. 
 
A história adapta peça do autor André-Paul Antoine. A ironia começa no título: a “doce inimiga” é Annette (Simone Berriau), uma viúva bela e determinada, no dia em que promove a festa de noivado de sua filha, Line (Jacqueline Daix), com um pretendente rico (Maurice Devienne). Um aviãozinho que passa lá no alto é o modo de Ophüls introduzir o elemento desagregador da aparência de felicidade: lá dentro viaja Jacques, o verdadeiro amor de Line, que fica perturbada com essa visão..
 
O conflito entre paixão e conveniência move a história, que será contada por fantasmas: o marido de Annette, o rico empresário Dupont (Georges Vitray), e Rodrigo (Marc Dabel), o amante de Annette, um domador de tigres. A ironia desta solidariedade post mortem dos dois rivais, agora pacificados, tempera com notas deliciosas a versão de cada um sobre o seu envolvimento fatídico com a mulher, bela e voluntariosa, impondo sua agenda a estes dois homens, agora podendo ser sábios e até filosóficos sobre os próprios erros.
 
Se a princípio a imagem de Annette soa negativa - até por sua imposição à filha deste casamento arranjado -, há muita água para correr debaixo da ponte e oferecer um outro lado sobre a personalidade desta personagem feminina forte, que está no centro dos acontecimentos mas é apresentada pela visão de seus homens. No devido tempo, um terceiro fantasma (Lucien Nat) surge para dar conta de um episódio desconhecido da juventude de Annette, capaz de mudar drasticamente a impressão de que se tratava de uma megera sem coração que parecia infiltrar-se até ali.

Enxuto (pouco mais de uma hora de duração), o filme encanta pelo domínio do ritmo e pela zombaria ao maniqueísmo - não é porque são os homens que pontuam sua visão sobre Annette que eles são pintados como personagens impecáveis ou dignos de crédito. Muito pelo contrário. E aí está o segredo do equilíbrio de uma comédia que se mostra capaz de sustentar com brio este risinho no canto da boca no desenho de seus personagens e de suas situações. É uma pequena joia do passado do diretor que ficaria mais conhecido por algumas de suas musas mais trágicas, especialmente Lola Montès (1955). 

Neusa Barbosa


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