Piquenique em Hanging Rock

Piquenique em Hanging Rock

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Sinopse

No virada do século XIX para o XX, uma jovem viúva abre um internato para moças no interior da Austrália. No dia de São Valentin, durante um passeio, três das alunas somem sem deixar vestígios. O desaparecimento afeta a vida de todas.


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Crtica Cineweb

06/07/2020

 A história da série Piquenique em Hanging Rock já é conhecida pelo filme Piquenique na Montanha Misteriosa, de 1975, dirigido por Peter Weir. No dia de São Valentin em 1900, um grupo de alunas de um internato feminino em Vitória, Austrália, sai para um passeio, e quatro delas desaparecem. É uma história completamente fictícia que, por anos, foi vendida como real, mas isso é o que menos importa. O longa original, também baseado no romance de Joan Lindsay, foi um sucesso e é cultuado até hoje, o que faz surgir a pergunta: uma nova adaptação é necessária? Em poucos minutos do primeiro capítulo da série, fica claro que sim, que aqui está algo completamente diferente da versão original, algo que se sustenta por si próprio.
 
Dirigida por Larysa Kondracki, Michael Rymer e Amanda Brotchie, a série se aprofunda nas histórias dessas jovens mulheres, assim como na de Mrs Appleyard, a misteriosa proprietária da escola, interpretada por Natalie Dormer. Embora a trama ainda se passe em 1900, as inquietações de Piquenique... estão mais ligadas ao nosso presente, como a discussão da opressão e repressão feminina. A estética que o trio da direção toma é bem próxima à do romance original, assim como a recusa por explicações. Lindsay até chegou a escrever um capítulo final dizendo o que aconteceu com as garotas, mas seu editor preferiu cortar, para manter a aura de mistério, o que trouxe um grande ganho para o livro.
 
Roteirizada por Beatrix Christian e Alice Addison, a série investiga o passado das jovens desaparecidas, e, assim, consegue delinear bem seus dramas. Miranda (Lily Sullivan) é uma espécie de líder das jovens, com suas atitudes contestadoras e olhar desafiador. E sua atitude não poderia ser diferente numa escola cuja didática se baseia no sadismo e tortura das alunas, que, por sua vez, consolam e protegem umas às outras. Ela tem uma relação próxima com Sara (Inez Currõ), uma menina bem mais jovem do que ela, e Marion (Madeleine Madden), descendente de nativos da Austrália. Há tons tanto românticos quanto da descoberta da sexualidade e do próprio corpo nas relações entre essas garotas. Para completar o quarteto, há Irma (Samara Weaving), de origem bastante rica.
 
A série não evita as questões políticas da época em que se passa e que reverberam até hoje, em especial o colonialismo e o tratamento dos povos indígenas, em especial na figura de Marion. E a direção faz da ambientação quase um personagem. A montanha do título é tanto símbolo de liberdade quanto de opressão, dependendo do ângulo pelo qual se olha. E assim é a série também, ora suspense, ora drama e, muitas vezes, um terror banhado pelo sol australiano. A opção estética da direção, comandada por Kondracki, traz cores fortes e vibrantes, que se destacam entre o figurino branco das jovens alunas.
 
A aura de mistério ronda a série o tempo todo, mas o desparecimento não é o centro. O que interessa mais são as dinâmicas de poder que se estabelecem entre as personagens, e as hierarquias que comandam as ações. As desaparecidas pairam como um fantasma que assombra, mas também podem ser o exemplo de rebeldia que poderá inspirar outras alunas.

Alysson Oliveira


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