Normal People

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Sinopse

Marianne e Connell moram numa pequena cidade no interior da Irlanda, e têm realidades bem distintas. Ela é rica e infeliz, ele, filho da faxineira e popular na escola. Eles começam um namoro às escondidas, e esse relacionamento, repleto de idas e vindas, os acompanhará quando forem para uma universidade prestigiada em Dublin.


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Crtica Cineweb

02/07/2020

Quando publicado em 2018, o segundo romance da jovem irlandesa Sally Rooney, Pessoas normais, logo se destacou, sendo indicado ao prestigioso prêmio Booker Prize naquele ano. O livro investiga com honestidade e sinceridade a relação amorosa entre Marianne e Connell desde a adolescência até a faculdade. Morando numa pequena cidade no interior da Irlanda, Sligo, eles frequentam a mesma escola, mas mal se falam – ele é popular e pobre, ela, rica e solitária. A proximidade entre os dois nasce sempre que ele vai buscar sua mãe, que trabalha como faxineira na casa da garota.
 
Com roteiro escrito por Alice Birch e Mark O'Rowe, a série Normal People mantém-se fiel ao original, não apenas pela melancólica paisagem do interior da Irlanda, mas também em seu tratamento honesto do amor e da sexualidade. Os protagonistas são interpretados por Daisy Edgar-Jones e o estreante Paul Mescal. A grande dificuldade aqui é transformar em uma narrativa coesa uma trama que se passa quase inteiramente na cabeça de seus personagens. E sob a direção de Lenny Abrahamson (O quarto de Jack) e Hettie Macdonald, o seriado se sai muito bem.
 
O grande acerto de Normal People é sua falta de pudor para falar das idas e vindas do casal, da sexualidade deles e, mais ainda, da diferença de classes que está subjacente ao relacionamento. Por mais que isso não seja, para Marianne e Connell, uma questão explícita, a maneira como cada um pode encarar o mundo, por conta do dinheiro (ou ausência dele), é o que marca seus encontros e desencontros.
 
Marianne vive com a mãe (Aislín McGuckin) e o irmão mais velho (Frank Blake), que a odeia e abusa dela física e emocionalmente. A personagem foge do estereótipo da pobre menina rica, porque é repleta de humanidade em suas dores e tristezas. Algo irá mudar nela apenas quando se aproxima de Connell e descobre existir um gosto pela literatura naquele rapaz tão popular – ele sonha (como boa parte da população da Irlanda) em ser escritor. Ela perde a virgindade com ele, e começam a ter encontros sexuais, com uma condição: que ninguém jamais saiba disso.
 
É aí que começam as idas e vindas do casal. É um material que poderia facilmente cair na monotonia, uma vez que relações romântico-sexuais, geralmente, interessam apenas aos envolvidos. Mas a série, assim como o livro, consegue extrapolar essa barreira, lidando com o elementos sociais que estão ao redor de Marianne e Connell, e que fazem cada um ser o que é. A experiência dele vindo de uma classe de trabalhadores é completamente diferente da dela, mas não alheia. Chega uma hora em que ambos precisam deixar Sligo, ao conseguirem entrar na mais prestigiosa universidade irlandesa, em Dublin. Ele, obviamente, graças a uma bolsa de estudos, que representa a única oportunidade de continuá-los. Para ela, um financiamento, embora desnecessário, é sinal de prestígio.
 
Quando Connell consegue viajar para fora da Irlanda, nas férias, vemos o personagem diante de um quadro num museu – ele está transfigurado. É a experiência artística que o dinheiro pode lhe proporcionar. Para Marianne, isso é mais comum. A mudança dela é ir para a faculdade, deixar o interior e tornar-se uma pessoa admirada por seus pares em Dublin. Eles mantêm um relacionamento, mas, ora se afastam, envolvendo-se com outras pessoas, ora estão juntos novamente, trazendo consigo outra bagagem.
 
Situada no presente, a trama retrata como os jovens da Irlanda pós-Tigre Celta, de um momento de crise financeira, estão se virando. Cada vez mais limitados de possibilidades e empregos, são obrigados a procurar oportunidades em outros países. Ao investigar essa dinâmica, a série ganha uma dimensão ainda mais política, mostrando como o momento histórico se faz presente até nos relacionamentos pessoais. Marianne e Connell enfrentam esse dilema: ir ou ficar. Novamente, suas posições de classe determinam a escolha, que, mais uma vez, pode separá-los.
 
A franqueza com que o relacionamento entre eles é observado é o ponto forte do romance original, e aqui também. Difícil imaginar uma série americana, por exemplo, com tanta honestidade ao retratar as aventuras e desventuras sexuais de Marianne e Connell. Ao fazer essa opção, Normal People é um programa que, em certa medida, opta por um bem-vindo incômodo, jogando uma luz nas relações amorosas e na sociedade que em que os amantes estão inseridos.

Alysson Oliveira


Trailer


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