Dentro de nossas portas

Dentro de nossas portas

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País


Sinopse

Nas primeiras décadas do século XX, Sylvia é uma jovem professora mestiça que assume uma escola em estado precário. Em busca de investimentos, ela viaja para Boston, onde encontra um novo amor e pessoas envolvidas na causa social.


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Crítica Cineweb

22/06/2020

Dentro de nossas portas é considerado um dos primeiros filmes norte-americanos a ser dirigido por um cineasta negro, Oscar Micheaux, e o mais antigo a que se pode ter acesso. Seu tema é a questão racial nos Estados Unidos no começo do século XX, que é investigada por meio de sua protagonista, a professora mestiça, Sylvia Landry (Evelyn Preer), que viaja para o norte do país em busca de fundos para sua escola no sul, que atende crianças negras.
 
Em Boston, ela conhece um médico (Charles D. Lucas), empenhado em causas sociais, por quem se apaixona, e revela sobre o passado de sua família, que inclui o linchamento de seus pais e seus ancestrais europeus. Ela conhece também uma filantropa (Mrs. Evelyn), que se interessa por sua causa. Essa trama, aparentemente simples, serve como veículo para o diretor, que também foi um destacado escritor, esmiuçar assuntos como as leis segregacionistas, a Ku Klux Klan, a migração dos negros do sul agrário para o norte industrial, entre outras coisas.
 
Como uma espécie de resposta a O nascimento de uma nação, de D. W. Griffith, Dentro de nossas portas foi lançado em 1920, apenas cinco anos depois do outro filme, que, entre outras coisas, celebrava mito do “escravo feliz”. Embora tecnicamente o longa de Micheaux não fosse tão sofisticado, seu discurso é muito mais pertinente e honesto, tendo em vista desbancar a falsa ideia pregada por seu antecessor, para o qual a revelação das verdadeiras capacidades dos negros permitiram união racial no país.
 
O filme traz cenas consideradas fortes para a época – há relatos de que parte do público saía antes do fim da sessão – , e, talvez, até para hoje, como a de um linchamento. Esse fato, assim como um estupro que acontece no filme, são vistos como uma evidência da falta de civilização dos brancos. Em O Nascimento de uma nação, o afro-americano (feito por um ator branco maquiado) é o bárbaro estuprador. Aqui, é diferente.
 
Dentro de nossas portas é um filme que desperta interesse por diversos motivos – não apenas por ser um dos primeiros dirigidos por um negro –, e, nos dias de hoje, se torna ainda mais relevante. Sua narrativa não faz concessões sobre os temas que aborda, e sua visão de mundo não poderia estar em maior sintonia com os debates do presente.

Alysson Oliveira


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