A despedida

A despedida

Ficha técnica


País


Sinopse

Mesmo morando nos EUA desde pequena, Billi sempre teve uma relação próxima da avó que ficou na China e acaba de ser diagnosticada com câncer, restando-lhe poucos meses de vida. A família decide esconder a verdade da matriarca e inventam um casamento falso para que todos possam se reunir e despedir-se dela.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

15/06/2020

Apesar dos vários acertos do Oscar deste ano, um de seus maiores equívocos foi esnobar solenemente A Despedida, sua diretora e roteirista Lulu Wang, de sua protagonista, Awkwafina, premiada no Globo de Ouro como melhor atriz de comédia. Aqui, a intérprete traz a sua marca já registrada de humor – vide Oito mulheres e um segredo e Podres de Rico – mas com uma dose sincera de sensibilidade. O filme se apresenta como “baseado numa mentira real”, e essa mentira faz parte de um episódio parecido da vida de Wang, cuja família escondeu de sua avó seu câncer pulmonar.
 
Awkwafina é Billi, uma jovem chinesa que mora nos EUA, mas mantém contato com a avó (Zhao Shuzen), a quem chama de Nai Nai, que mora em Changchun, na China. A jovem deixou o país aos 6 anos de idade, quando junto de seus pais (Diana Lin e Tzi Ma) se mudou para Nova York. Isso não a impediu de manter os laços com a avó, com quem fala por telefone constantemente. Em uma dessas conversas, fica sabendo que está fará uma tomografia, acompanhada de sua irmã mais jovem (Lu Hong), a quem o médico conta que Nai Nai está com câncer no pulmão e deverá ter apenas de três a quatro meses de vida.
 
A notícia se espalha por toda a família – exceto Nai Nai, que não sabe de sua doença. O consenso é: protegê-la da verdade, fazendo com quem seus últimos meses de vida sejam mais confortáveis emocionalmente, uma vez que não poderá sequer fazer algum tratamento. Billi não concorda a mentira, mas todos – inclusive seus pais – preferem manter a farsa. E inventam um casamento em Changchun como a desculpa para reunir toda a família, que irá se despedir da matriarca sem que ela se dê conta disso.
 
Todos se encontram no apartamento de Nai Nai. Fazia 25 anos que a família não se reunia na China, para as bodas de Hao Hao (Chen Han), primo de Billi que mora no Japão, e sua namorada japonesa, Aiko (Aoi Mizuhara), que conhece apenas há três meses. A falta de sintonia entre o casal é responsável por alguns dos momentos cômicos desse drama que, apesar do tema sério e melancólico, é capaz de extrair humor e graça disso tudo.
 
Awkwafina é um dos nomes do momento. Ótima na comédia, também se mostra uma atriz versátil aqui, num papel que pede mais veia dramática, sem nunca ser cair na caricatura ou algo forçado. A relação entre sua personagem e Nai Nai é terna e sincera. Wang, em seu segundo longa (ela realizou curtas e projetos para a televisão) é uma diretora a se prestar atenção. Seu domínio de cena é memorável, assim como seu carinho pelas personagens e a construção certeira da narrativa. A questão central aqui é algo que lhe parece caro: como o ocidente e o oriente encaram o peso da verdade. É melhor contar uma mentira que proteja ou a verdade deve ser dita a qualquer preço?

Alysson Oliveira


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