Um Crime Americano

Um Crime Americano

Ficha técnica

  • Nome: Um Crime Americano
  • Nome Original: LA 92
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2017
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 114 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: T.J. Martin, Dan Lindsay
  • Elenco:

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Sinopse

Em março de 1991, Rodney King é espancado violentamente por quatro policiais, por tentar fugir a uma suposta infração de trânsito. O episódio é filmado por um vizinho do local e o caso tem tremenda repercussão, mas não a punição dos culpados. Como consequência, Los Angeles viveu um dos períodos mais conturbados de toda sua história, com mortes, prisões, saques e incêndios.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

10/06/2020

Originalmente intitulado LA 92, o documentário, que recorda o caso Rodney King, fornece um excelente material para compreender o contexto por trás do crônico problema das conturbadas relações raciais norte-americanas - e, por que não dizer, da mesma questão no Brasil.

Feito em 2017, ganhador de um Emmy, o filme assinado por Daniel Lindsay e TJ Martin, vencedores de um Oscar em 2012 pelo doc Undefeated, remete ao doentio círculo vicioso da violência policial preferencial contra a comunidade afrodescentente, relacionando o espancamento de King por policiais brancos em 1991 a um episódio anterior, o caso Watts, ocorrido na mesma cidade de Los Angeles em 1965. Nos dois casos, houve excessos da polícia que levaram a distúrbios, quebra-quebras e mortes. Exatamente, aliás, como ocorre neste ano de 2020, agora em todo os EUA, na esteira da morte de George Floyd, em Minneapolis.

Tanto no caso de Floyd quanto no de Rodney King, o elemento deflagrador da reação popular foi um vídeo. Embora em 1991 não houvesse a profusão de imagens de celulares de hoje, um homem (George Halliday) filmou com sua câmera de vídeo o espancamento de King por quatro policiais brancos, que o detiveram por uma suposta infração de trânsito. King havia tentado fugir, acelerando o carro, por estar na condicional. Quando os policiais o pararam, sua rendição não o salvou de levar cerca de 56 golpes, que lhe custaram diversas lesões sérias e ossos quebrados. Posteriormente, as gravações de áudio da própria viatura comprovaram uma outra série de abusos verbais por parte dos policiais.

Os ânimos de Los Angeles naqueles dias já estavam suficientemente exaltados quando, cerca de duas semanas depois do caso King, uma garota negra, Latasha Harlins, foi morta numa loja, confundida com uma ladra pela comerciante coreana.Julgada por homicídio culposo, que poderia render pelo menos 16 anos de prisão, a comerciante recebeu da juíza do caso não mais do que uma multa e serviço comunitário. Este foi o estopim de tumultos que provocaram alguns dos distúrbios mais graves da história de Los Angeles, causando destruição de lojas pertencentes aos coreanos e não só. 

O julgamento dos quatro policiais, que fora transferido para um distrito com 88% de população branca (Simi Valley), seria mais pólvora acrescentada à fogueira. Apesar das sólidas evidências documentais dos abusos contra King, os policiais foram inocentados no primeiro julgamento. Como consequência, a central de polícia de Los Angeles foi a primeira a ser atacada. 

Um grande trunfo do documentário é contar com diversas coberturas jornalísticas da época, com várias filmagens feitas de helicóptero capazes de reconstituir a urgência e o perigo nas ruas de Los Angeles naqueles dias, incendiadas por um furor que a América revisitou nestes últimos dias. Estas imagens dão uma ideia perfeita do que era estar na cidade na época. 

Um novo julgamento dos policiais, em 1993, levou à condenação de dois deles, Stacey Koon e Lawrence Powell. Tarde demais para evitar o saldo trágico da agitação: 58 mortos, 2383 feridos, mais de 11000 prisões, prejuízos materiais superiores a US$ 1 bilhão. E, para quem assiste ao filme hoje, a desconfortável sensação de que nada, nada mesmo mudou ainda.


Neusa Barbosa


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