As Virgens Suicidas

As Virgens Suicidas

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Sinopse

Nos anos de 1970, as cinco irmãs da família Lisbon vivem sob um regime de opressão da mãe superprotetora. Décadas mais tarde, os meninos da vizinhança, agora homens adultos, olham o seu passado e a história das meninas que influenciaram suas vidas.


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Crítica Cineweb

02/06/2020

Numa das primeiras cenas de As virgens suicidas, longa de estreia de Sofia Coppola, depois que uma das cinco irmãs Lisbon tenta, sem sucesso, se matar, no hospital ela recebe a visita de um médico – uma participação de Danny DeVito – que lhe pergunta o motivo daquilo, sendo ela tão jovem, não fazendo ideia de como a vida pode ser dura. A resposta: “Obviamente, doutor, você nunca foi uma menina de 13 anos.” Essa é a frase que resume todo o filme – talvez toda a obra a diretora.
 
Filme após filme, Coppola, com apenas 27 anos quando realizou este longa, investiga o que é ser uma jovem mulher em um mundo que jamais se dará ao trabalho de tentar compreendê-la – obviamente. Aqui, um grupo de irmãs adolescentes – todas loiras e um tanto pálidas, especialmente a partir do momento que são impedidas de sair de casa – é oprimida por uma mãe abusivamente conservadora (Kathleen Turner) e um pai amoroso, mas omisso (James Woods). As protagonistas da diretora – seja Charlotte, de Encontros e Desencontros, Maria Antonieta, no filme homônimo, ou as mulheres de O estranho que nós amamos – estão num mundo pequeno demais para elas e, por isso, inevitavelmente sufocadas.
 
O roteiro, assinado pela diretora, parte do romance homônimo de Jeffrey Eugenides, e tem como narradores um grupo de homens próximos da meia-idade, que olham para um episódio de seu passado que os marcou: o suicídio das irmãs Lisbon. O jogo que o livro e o filme estabelecem é: as garotas são sistematicamente silenciadas enquanto os homens são os donos da narrativa. É uma estratégia sagaz e reveladora, que expõe os limites da linguagem, desligando-se da imaginação. A imagem que temos dessas meninas é fruto da memória e da criação desses rapazes.
 
A junção desses dois elementos, é claro, permite idealizações e lacunas. O filme narra a trajetória das meninas com uma luz solar fria e difusa – com fotografia assinada por Edward Lachman – que, esmaecida, ressalta a temporalidade de As virgens suicidas, situado num passado remoto e kitsch dos anos de 1970, em que a revolução sexual da década anterior nunca pareceu chegar àquele subúrbio onde moram os personagens.
 
A dialética que Coppola estabelece é entre o narrar e o mostrar, entre as palavras e as imagens: os meninos, a voz deles é na primeira pessoal do plural, tal como um coro grego, contam; as meninas mostram sua história. Outro ponto crucial está no estabelecimento das identidades distintas para cada uma delas. Os garotos as veem como um grupo: as irmãs Lisbon. O filme, por sua vez, as mostra distintas – tanto que cada uma tem seu modo e momento próprio de tirar a vida, e estabelecer a distinção.
 
Lux é a irmã que tenta livrar-se dessa prisão, envolvendo-se com o galã da escola, Trip Fontaine (Josh Hartnett), que dá seu depoimento numa clínica de reabilitação. A tentativa de fuga dela apenas faz aumentar o isolamento da família, fechando-se do mundo, e contra o mundo, a mando de uma mãe que acredita estar fazendo o melhor para sua família: “Nunca lhes faltou amor”, diz. Mas esse “amor”, ao fim, foi o catalisador do trágico destino de suas filhas.

Alysson Oliveira


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