O Hotel às Margens do Rio

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Sinopse

Um poeta que acredita estar morrendo se reúne com seus filhos num hotel. No mesmo lugar, está hospedada uma jovem que acabou de separar-se. As histórias de vida dessas duas pessoas se encontram.


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Crtica Cineweb

21/05/2020

Em O hotel às margens do rio, o sul-coreano Hong Sang-soo coloca praticamente todos os elementos que fizeram de sua filmografia aquilo que ela é. Em outras palavras, é possível reconhecer a quilômetros de distância e com o cenário coberto de neve que este é um filme dele. Estão aqui as cenas sem fim em restaurantes, as discussões sobre relações amorosas, sobre arte e a vida. Atualmente, o diretor deve ser o maior herdeiro do francês Éric Rohmer, seguindo um estilo parecido, intimista e com inquietações artísticas bem próprias.
 
Um dos interesses de Hong é a percepção do tempo e dos pontos de vista. Uma mesma história pode ser contada de maneiras diferentes dependendo de quem a conta – como ele já mostrou explicitamente em outros filmes. Aqui, a invenção formal é mais modesta, o que não significa que seja um trabalho menor, apenas, digamos, mais comportado.
 
A maneira como o poeta Young-wan (Ki Joo-bong) vê o tempo é: cada dia é um dia a menos. Apesar de aparentemente saudável, ele crê que está morrendo, por isso, reúne seus dois filhos adultos em um hotel ao lado do rio Han para uma possível última conversa.
 
No mesmo local, está hospedada a jovem Sang-hee (Kim Min-hee), que acaba de sofrer uma separação, se escondeu no hotel e sofreu uma queimadura na mão. Ela chama uma amiga, Yeon-ju (Song Seon-mi), para lhe fazer companhia, e esta se surpreende ao ver o carro dos filhos do poeta, pois o veículo esteve num acidente que também a envolveu.
 
É uma dinâmica de aproximação e distanciamento que Hong, também autor do roteiro, estabelece para as suas personagens. A relação entre o poeta e seus filhos é repleta de coisas não ditas. O mais velho, Kyung-soo (Kwon Hae-hyo), não tem coragem de contar que se separou de sua esposa, pois o pai gostava muito dela. Já o mais novo, Byung-soo (Yu Jun-sang), um diretor de filmes de arte, confessa que tem medo das mulheres.
 
As duas linhas de narrativa, a do poeta e a da jovem, aos poucos vão convergindo, mesmo se, durante parte do tempo, mostrem as diferenças entre as personagens. A proximidade entre as duas amigas – que conversam no quarto – é contrastada com a distância entre o pai que prefere receber os filhos no restaurante, por exemplo. A fotografia em preto e branco – assinada por Hyung Koo Kim, que já trabalhara com Hong, em filmes como O dia depois e Na praia à noite sozinha) – destaca o clima gélido do inverno local realçando a brancura do ambiente coberto de neve.

Alysson Oliveira


Trailer


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