A Carga

A Carga

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


País


Sinopse

No final da década de 1990, a OTAN ataca a Sérvia. Neste cenário, um motorista de caminhão precisa transportar uma carga de Kosovo para Belgrado. Atravessando um território desconhecido, ele vê um país devastado pela guerra.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

13/05/2020

O momento é o fim dos anos de 1990. A Sérvia é constantemente atacada pela OTAN. Riscos cortam o céu e bombas explodem no chão. Nada disso, no entanto, impede que o caminhoneiro Vlada (o excelente ator croata Leon Lučev) siga sua viagem. O filme, escrito e dirigido pelo sérvio Ognjen Glavonić, acompanha um dia na vida desse homem e das pessoas que cruzam o seu caminho.
 
A Carga é um filme austero, duro e com uma fotografia pálida que, em alguns momentos beira o preto-e-branco, e é assinada por Tatjana Krstevski. Nada mais coerente com a vida levada por essas personagens, em que não há muito espaço para a ternura. Ainda assim, o longa não é de todo brutal, criando momentos de cor e leveza, como as bexigas que se soltam da mão e voam para o céu.
 
Rumando em direção a Belgrado, Vlada conduz um caminhão branco e não muito grande. Não sabe qual é carga que carrega e, quando para num checkpoint, entrega apenas um papel à polícia que lhe permite continuar a viagem sem que vistoriem o veículo. Esse conteúdo misterioso, obviamente, adquire também dimensões metafóricas, do peso de carregar nas costas um país que precisa ser reconstruído, mas o mundo parece não deixar.
 
Pelo caminho, o motorista dá carona a um jovem (Pavle Čemerikić), que quer ser músico, faz algumas paradas, presencia uma festa de casamento, faz ligações para casa, seu isqueiro (herança do avô que lutou na Guerra) é roubado e a viagem segue sempre em frente.
 
Nesse caminho, o filme faz pequenas digressões. A câmera abandona temporariamente Vlada e segue alguns personagens, como os dois garotos que roubaram o isqueiro, que fogem e vão brincar em construções gigantescas e abandonadas – antigos monumentos da arquitetura na região, testemunhas de um fracasso, lembranças de uma utopia que nunca se concretizou.
 
As crianças brincando nas construções abandonadas dão um sentido do diálogo entre o passado e o futuro. Mas o que esperar do futuro numa região devastada? Ainda assim, o filme, de certa forma, é esperançoso em seu final, com o filho do protagonista (Ivan Lučev) e um grupo de amigos

Alysson Oliveira


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança