O casamento de Muriel

O casamento de Muriel

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Sinopse

Muriel é uma jovem infeliz na vida, e sua única alegria é ouvir as músicas do grupo ABBA. Cansada de ser chacota da família e das conhecidas, ela dá um golpe e foge para Sydney, onde com ajuda de uma colega resolve mudar de vida.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

04/05/2020

Mais de 25 anos depois de sua estreia, O Casamento de Muriel é um filme que resiste ao tempo, e tem adoradores por todo o mundo. Não é para menos. Essa pequena joia dos anos de 1990 eleva o kitsch da época (com um diálogo com o passado, via trilha sonora do ABBA) a outro patamar, o do cinema da nostalgia. O mundo interior da protagonista (Toni Collette, que viria a se revelar uma das grandes atrizes de sua geração) é iluminado por paetês e as canções da banda sueca.
 
A realidade, porém, era outra. Patinha feia numa família pouco funcional, com uma mãe depressiva (Jeanie Drynan), um pai (Bill Hunter) grosseiro que a maltrata, e um par de irmãos que a odeiam (Dan Wyllie e Gabby Millgate), o consolo de Muriel está em se fechar no seu quarto e ouvir ABBA, quando é transportada para outro universo. As “amigas” a usam como motivo de chacota. Logo na primeira cena, a garota precisa devolver o buquê que pegou na festa de casamento de uma delas: é um consenso, ela nunca irá se casar, e é um desperdício ficar com as flores.
 
O roteirista e diretor australiano P. J. Hogan tinha pouco mais de 30 anos quando fez esse filme. Para criar a personagem, baseou-se um pouco nele mesmo e em sua irmã, que mentiu para os pais, que lhe deram dinheiro, e viajou para Sydney, tal como faz Muriel em busca de ter sua própria vida. E é lá que se une a Rhonda (Rachel Griffiths), amiga descolada que lhe mostra como o mundo pode ser bom.
 
Hogan brinca com a fórmula do gênero - as coisas são um tanto previsíveis até que deixam de ser, quando se introduz algumas reviravoltas inesperadas, e O casamento de Muriel é uma comédia bastante melancólica. Como indica o título, ela quer se casar, é um grande sonho, mas nunca encontrou alguém que a ame. Para se consolar, a jovem começa a experimentar vestidos de noiva nas lojas de Sydney, onde mora com Rhonda, e, vestida, tira polaroides, dizendo que é para mostrar para a mãe, que está no hospital. O evento e as cenas têm um certo humor por serem inusitadas mas, ao mesmo tempo, são extremamente tristes, firmando o atestado da solidão e baixa autoestima de Muriel.
 
Hogan, poucos anos depois, faria outro filme sobre matrimônios: O casamento do meu melhor amigo, e, novamente, uma das melhores comédias românticas da década. Mas, aqui, sem o star power da Julia Roberts, o que mais seduz – além de Toni Collette – é a sinceridade com que olha para a vida de uma garota infeliz, cuja felicidade está em suas mãos. Poderia ser, de certa forma, um filme de autoajuda, ensinando pessoas a se encontrarem em si mesmas. Mas Hogan foge disso, criando um quase um conto de fadas situado no mundo real e cruel, mas com espaço para a ternura – desde que seja ao som de Dancing Queen.

Alysson Oliveira


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