Crip Camp: Revolução pela Inclusão

Crip Camp: Revolução pela Inclusão

Ficha técnica

  • Nome: Crip Camp: Revolução pela Inclusão
  • Nome Original: Crip Camp
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2020
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 106 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Nicole Newnham, James Lebrecht
  • Elenco:

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Sinopse

Criado em 1951, o Jened era um acampamento de verão, em Catskills (NY), que não só aceitava adolescentes com deficiências diversas como criava um ambiente em que eles podiam se comportar como qualquer outro jovem. A experiência libertária frutificou no aparecimento de diversos militantes que lutaram por leis antidiscriminatórias contra os deficientes.


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Crítica Cineweb

29/04/2020

Prêmio de público no Festival de Sundance 2020, o documentário é uma grata surpresa. Assinado por um de seus personagens, o mixador de som James LeBrecht, e pela premiada produtora e diretora Nicole Newnham, Crip Camp toma sempre rumos inesperados não só por sua irreverência e o desvio de qualquer tom piedoso, mas também por inserir com tanta eficiência a luta pelos direitos das pessoas com deficiência no âmbito da luta pelos direitos civis, tendo como ponto de partida um singular acampamento de verão, o Jened.
 
Situado a três horas de Nova York, em Catskills, o Jened foi criado em 1951, oferecendo a adolescentes com deficiências o que nenhum deles tinha em lugar algum - liberdade para agir e ser tratado como alguém absolutamente normal. Para essa clientela, sedenta de liberar-se das amarras impostas pelos pais e instituições, numa época em que ainda não existiam rampas de acesso nem leis antidiscriminação, Jened era simplesmente o paraíso - ainda mais nos anos 1960, quando encontrou o clima ideal para florescer sob as bençãos da contracultura. Para quem esteve ali, foi quase o seu Woodstock particular.
 
Hóspede do acampamento aos 15 anos, James LeBrecht - que nasceu com espinha bífida - não só aproveitou intensamente um desses verões, quando conheceu sua primeira namorada, Nancy, como também filmou o cotidiano do lugar. Suas imagens fornecem alguns dos melhores momentos do documentário, reproduzindo o clima geral de festa e entrosamento e também as frequentes discussões sobre tudo, proporcionando, para muitos, uma descoberta do que sua vida poderia vir a ser.
 
Nestas imagens de arquivo, é possível vislumbrar a atmosfera amistosa e um tanto caótica, em que os monitores ajudavam os hóspedes a fazer tudo, incluindo atividades aparentemente arriscadas, como jogos e natação, sem medo. Mas esta era uma via de duas mãos. Para os monitores, que não possuíam deficiências, a passagem pelo acampamento também propiciou mudanças de mentalidade irreversíveis.
 
De todo modo, o acampamento, que dá nome ao filme de maneira irônica, é apenas o começo da história, já que a experiência destes jovens foi uma espécie de fermento para que vários deles não só levassem uma vida mais livre e gratificante como se tornassem ativistas. Esta militância levou à aprovação de diversas leis nos EUA - como as que tornaram obrigatórios equipamentos de acesso em transportes públicos, ruas e edifícios, assim como criminalizaram a discriminação contra eles. 
 
Entre estes militantes, Judith Heumann é certamente a figura mais notória do movimento pelos direitos dos deficientes, que levou a enfrentamentos com pelo menos três presidentes norte-americanos - Richard Nixon, Jimmy Carter e Ronald Reagan -, com episódios marcantes. O mais famoso deles, a ocupação, em 1977, do prédio do Departamento de Saúde, Educação e Bem-Estar, em San Francisco, por portadores de diversas deficiências, por nada menos de 24 dias, pressionando pela aprovação da seção 504 da Lei dos Direitos Civis. Nessa ocupação, o grupo ganhou o apoio de diversas entidades, sindicatos e até mesmo dos Panteras Negras, que mantinham uma cozinha comunitária ali perto, em Oakland, e lhes forneceram refeições. 
 
Uma legislação mais abrangente, a chamada Disabilities Act, no entanto, só foi assinada em 1990 pelo presidente George Bush. 
 
O Jened, onde tudo começou, não resistiu ao tempo. Foi fechado por dificuldades financeiras, em 1977. Mas o filme lhe presta uma justa homenagem, especialmente ao descrever os destinos de vários dos jovens que por ali passaram. Quanta diferença fez aquele acampamento de verão, e não só na vida deles. 
 
Uma curiosidade: o documentário tem entre seus produtores executivos o casal Michelle e Barack Obama.

Neusa Barbosa


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