Nada Ortodoxa

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Sinopse

Para fugir de um casamento arranjado e da repressão da comunidade ultra-ortodoxa onde vive, a jovem Esther Shapiro foge em busca de sua liberdade.


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Crítica Cineweb

27/04/2020

Esther Shapiro (a impressionante Shira Haas) é uma rebelde. Sua rebelião é contra a comunidade judaica ultra-ortodoxa na qual nasceu e vive, a hassídica Satmar de Williamsburg, no bairro nova-iorquino do Brooklyn, estabelecida no pós-Segunda Guerra, por sobreviventes húngaros do Holocausto. Conforme os episódios avançam, em sua ida e vinda entre passado e presente, fica claro que a protagonista sempre foi diferente nesse meio, tanto em sua personalidade quanto pelo fato de ter sido abandonada pela mãe, que deixou o marido e o grupo.
 
Baseada no livro de memórias de Deborah Feldman (também creditada como corroteirista e produtora), a série Nada Ortodoxa é, em sua essência, sobre a construção de identidades. Esther cresceu num meio que sempre martelou em sua cabeça que sua função na vida era casar e ter filhos. O seu conflito interno é grande. Ela ama a música, mas não pode praticar, não pode sequer cantar – e, como se verá, sua voz é impressionante. Presa a um casamento infeliz e uma comunidade que cada vez mais a sufoca, sua única saída é fugir. Curiosamente (mas não por acaso), vai para Berlim.
 
Atrás dela vão o marido, Yanky (Amit Rahav), um sujeito tolo e também cheio de conflitos, e o primo dele, Moische (Jeff Willbusch, também impressionante em cena), um homem truculento, cujas verdades estão abaladas. Ou seja, todas as personagens centrais têm conflitos internos e, como não poderia deixar de ser, a religião é a fonte disso. Em Berlim, Esther não sabe como lidar com uma vida secular, mas tenta seguir uma carreira como musicista. tentando uma audição no conservatório.
 
Criada por Anna Winger, e dirigida pela alemã Maria Schrader (Stefan Zweig: Adeus, Europa), Nada Ortodoxa é uma série que não tem pressa. Seu ritmo é dterminado pelos passos incertos de Esther, tanto no admirável mundo novo que se abre para ela, quanto no passado que a oprimia. Nesse sentido, a presença de Haas, com seu cabelo que cresce aos poucos (após ser totalmente raspado) e seus grandes olhos é marcante. A jovem atriz de 24 anos, nascida em Israel, torna-se uma estrela aqui. Sua presença é magnética e sua intepretação, honesta e sedutora. É impossível não se solidarizar com o drama de Esther, suas descobertas e frustrações.
 
A série oferece uma nuance ampla sobre suas personagens principais. Ninguém é maniqueistamente bom ou mau, certo ou errado – até o primo brucutu, que poderia ser uma espécie de “vilão” aqui, é humanizado. Mas todos estão em busca de forjar sua própria identidade, seja aceitando os preceitos sob os quais nasceram, ou buscando-a fora da comunidade onde sempre viveram – mesmo que para isso seja preciso pagar um alto preço.

Alysson Oliveira


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