O Anjo Exterminador

O Anjo Exterminador

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Sinopse

Numa rica mansão, um jantar espera os convidados, que saem da ópera. Ao chegar, a maioria dos empregados partiram. O jantar se desenrola mas ninguém parece disposto a voltar para sua casa. E, depois, ninguém mais consegue sair da mansão, sem que se possa entender o motivo.


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Crítica Cineweb

22/04/2020

Um dos mais cultuados filmes do genial diretor espanhol Luis Buñuel (1900-1983), O Anjo Exterminador sintetiza como poucos o seu estilo - inquietante, mordaz, instigante. O cenário é uma rica mansão, onde se prepara um jantar para seletos convidados. Pouco antes de sua chegada, os empregados começam a debandar, inexplicavelmente. A chegada dos convivas, pouco depois, repete-se mais de uma vez - novamente, sem qualquer explicação. Assim, Buñuel hipnotiza seus espectadores para seguir em frente, no labirinto de enigmas que ele sabe armar tão bem.
 
Fora a ausência de quase todos os servidores - o mordomo (Claudio Brook) permaneceu fiel -, a noitada prossegue, em busca da retomada de uma normalidade perdida. Os pratos são servidos, uma convidada toca piano. Fofocas povoam as conversas frívolas, recheadas de maledicências recíprocas. A noite avança e ninguém mostra disposição de partir, para perplexidade dos donos da casa (Enrique Rambal e Lucy Gallardo), que fazem preparativos para que todos pernoitem. O fato é que, por alguma razão misteriosa, ninguém consegue sair da sala. 
 
A partir desta situação-chave, Buñuel dispara seus duplos sentidos, com uma evidente sugestão de metáfora sóciopolítica no ar. Mas, por mais antifascista, antifranquista, anticlerical e antiburguês que fosse, o diretor nunca perdia de vista a sofisticação de sua arquitetura dramática ou a sutileza de suas proposições surrealistas. Assim, o espectador que se dispuser a aproveitar, desta crônica do absurdo, o suspense psicológico bem construído, encontrará fartos elementos para sua fruição. 
 
É admirável, na condução da história, o sentido de retrato coletivo, mais do que a predominância de qualquer protagonista. É como se estivéssemos observando um conjunto de animais num laboratório e as dinâmicas fossem se alterando, devido ao confinamento, às privações de água e comida, à incerteza sobre o fenômeno que os está dominando. A metáfora social mais evidente é a do imobilismo desta classe auto-referente, incapaz de enxergar as demais fora de um contexto utilitário. Mas esta não é a única leitura. Soma-se o detalhe de que também os que estão do lado de fora - policiais, curiosos - também não consigam entrar, por mais que os portões estejam abertos. Uma bandeira amarela foi hasteada do lado de fora, sinalizando uma casa em quarentena, como numa epidemia. 
 
Por tudo isso, O Anjo Exterminador é, acima de tudo, um sofisticado exercício que convoca a imaginação de seus espectadores. A melhor forma de aproveitar esta viagem, à qual não falta a ácida ironia que caracteriza as obras do diretor - como O Discreto Charme da Burguesia, que forma quase um díptico com este filme - é deixar-se levar pelos acontecimentos, que vão se superando em choques, surpresas e invenções. 

Concorrente à Palma de Ouro em Cannes 1962, O Anjo Exterminador foi distinguido com o prêmio FIPRESCI (Federação Internacional dos Críticos de Cinema). 

Neusa Barbosa


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