Amazing Grace

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Sinopse

Neste documentário, filmado em 1972, a cantora Aretha Franklin volta à New Bethel Baptist Church, em Watts, Los Angeles, para gravar um dos álbuns mais importantes de sua carreira. O documentário só foi concluído em 2018.


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Crítica Cineweb

14/04/2020

É possível ouvir o álbum Amazing Grace, de Aretha Fraklin, em streaming na internet com ótima qualidade; mas aí só é possível ouvir. O filme do mesmo nome leva à tela uma apresentação do disco e seus bastidores de maneira epifânica. Vê-la em toda sua graça extraordinária soltando o vozeirão com música gospel numa igreja batista é o mais próximo de uma experiência religiosa que se pode ter no cinema.
 
O documentário, exibido na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, em 2019,  foi rodado durante duas noites, em janeiro de 1972, na New Temple Missionary Baptist Church, em Los Angeles, onde Aretha, aos 46 anos e famosa, vai para retomar músicas de quando era uma cantora gospel no coral da igreja. Amazing Grace foi não apenas o disco mais vendido do gênero gospel, mas também o mais vendido da carreira dela. E não é para menos, o que se vê e, principalmente, se ouve, é uma explosão em forma de voz e súplica que transcende os parâmetros de música religiosa.
 
Na época, Sydney Pollack foi contratado pela Warner para filmar as duas noites. Era o momento do auge do cinema verité, e o concerto foi capturado numa imagem belamente granulada. Mas problemas técnicos – especialmente de falta de sincronia – impediram o documentário de ser lançado. Quando isso pôde ser resolvido, a própria cantora impediu o lançamento - os motivos nunca ficaram claros. Agora, com todas as questões técnicas e legais superadas, o longa foi finalizado (pelo músico Alan Elliott, creditado como codiretor), podendo ser exibido e merecendo ser visto no cinema - só uma tela gigante e um som potente podem fazer justiça ao vozeirão cantando uma música que combina “Precious Lord, take my hand” e “You’ve got a friend”.
 
Na primeira noite, a igreja não está muito cheia. As poucas pessoas são um tanto discretas, mas, na seguinte, quando os fieis chegam com roupa de gala e tudo o mais, o filme cresce. A cantora fala pouco entre uma música e outra, mas quando seu pai, o ministro batista C.L. Franklin, fala, é possível ver de onde vem a força de Aretha. Ele é pomposo e amoroso – é comovente o momento em que ele enxuga o suor do rosto da filha enquanto canta –, mas também nota-se como ela teve de lutar num mundo dominado por homens como ele para conseguir respeito, e “descobrir o que isso significa”, como diz uma de suas músicas mais famosas.
 
É claro que o apelo primordial do filme é para fãs de Aretha, mas não deveria se limitar a eles. Amazing Grace (tanto o disco quanto o longa) tem o poder de transcender e ir além de um show de música gospel. O documentário é também uma maneira de compreender como o álbum fez tanto sucesso – merecidíssimo, aliás.

Alysson Oliveira


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