Quem matou Malcolm X?

Quem matou Malcolm X?

Ficha técnica

  • Nome: Quem matou Malcolm X?
  • Nome Original: Who Killed Malcolm X?
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2019
  • Gênero: Série documental
  • Duração: 43 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Rachel Dretzin, Phil Bertelsen
  • Elenco:

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País


Sinopse

Em 21 de fevereiro de 1965, o líder e ativista negro Malcolm X foi assassinado durante uma palestra no salão Audubon, em Nova York. Três homens foram condenados por seu assassinato. Cinquenta e cinco anos depois, o historiador Abdur-Rahman Muhammad reúne dados impressionantes sobre a inocência de dois deles e os possíveis culpados, e as razões deste encobrimento da verdade.


Extras

Disponível na Netflix, em seis episódios


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

18/03/2020

Cinquenta e cinco anos após o assassinato do líder e ativista negro Malcolm X, em 21 de fevereiro de 1965, as dúvidas por trás dos reais responsáveis por essa morte ganham corpo e substância na minissérie documental Quem matou Malcolm X?, dos diretores Rachel Dretzin e Phil Bertelsen, em exibição na Netflix. 
 
Dividida em seis episódios de aproximadamente 40 minutos cada, a série utiliza com muita perícia as pesquisas e a presença do historiador Abdur-Rahman Muhammad, um verdadeiro obcecado pela morte de Malcolm X que se debruçou sobre todos os documentos, arquivos, fotos e filmes que pode encontrar relativos à sua vida e sua morte. Sendo afro-americano e muçulmano, como Malcolm, tem a vantagem de compreender e conseguir explicar com  clareza o contexto da história daquele que foi um dos personagens-chave na militância pelos direitos dos negros norte-americanos, incendiando, com seu carisma, corações e mentes até hoje.
 
Amparada nessa figura central de Abdur-Rahman, e também realizando, geralmente com ele, mas não só, entrevistas com diversas figuras fundamentais que presenciaram e/ou investigaram o assassinato de Malcolm, a série disponibiliza uma extraordinária gama de dados e situações, montando um quebra-cabeças inquietante em torno da forte possibilidade de que dois dos condenados pela morte, Thomas Johnson e Norman Butler, sejam inocentes e, apesar disso, tenham cumprido, cada um mais de 20 anos na prisão. Dos dois, apenas Butler, hoje chamado Muhammad Aziz, ainda está vivo, com 81 anos. 
 
O terceiro assassino condenado, Talmadge Hayer, foi preso no local do crime, o salão Audubon, em Nova York, admitiu o crime e sempre inocentou os outros dois - embora revelasse que participaram do tiroteio outras quatro pessoas, que por muitos anos ele se recusou a identificar. Finalmente o fez num depoimento em 1977, mas a tentativa do advogado William Kunstler de reabrir o caso não foi aceita pela justiça na época.
 
A situação é diferente agora, quando a série provocou que o procurador de justiça de Nova York, Cyrus Vance Jr., designasse dois promotores para estudar a reabertura do caso, baseados nas evidências trazidas à luz. Um deles é Peter Casolaro, promotor que participou da reinvestigação do famoso caso dos “Cinco do Central Park”, no começo de 2000, inocentando os cinco acusados pelo estupro e agressão contra uma corredora no Central Park. Este famoso erro judiciário foi objeto de outra série da Netflix, Olhos que Condenam, da diretora Ava DuVernay. 

Mosaico de fatos

A maior qualidade em Quem Matou Malcolm X? é a quantidade de dados que é capaz de reunir em torno dos fatos que questiona, sem endeusar seu personagem, nem seus opositores. Permite, assim, uma compreensão maior do significado da pregação de Malcolm X, o papel exercido em sua vida pelo grupo religioso Nação do Islã e seu líder, Elijah Muhammad, que foi uma figura paterna na vida de Malcolm, e o peso da ruptura entre os dois para sua morte violenta. 

Um aspecto levado muito em conta é o papel exercido pela polícia e pelo FBI, que vigiavam ostensivamente tanto Malcolm X quanto Muhammad, e o quanto essa interferência contribuiu para o assassinato de Malcolm. São particularmente úteis algumas entrevistas de policiais e mesmo de um agente que atuaram naquela época. E não se esquece de mencionar o quanto o salão Audubon estava praticamente desprovido de policiamento naquele fatídico dia 21 de fevereiro de 1965, apesar de Malcolm X ter sido alvo de inúmeras ameaças de morte e, uma semana antes, ter tido sua casa incendiada. Os erros e omissões da investigação que se seguiu também são impressionantes.
 
Por essa reunião de visões diferentes, com a contribuição de outros historiadores de direitos humanos, como David Garrow, vencedor do Prêmio Pulitzer, a série adquire uma impressionante consistência, sem perder de vista o aspecto da sedução do espectador pela eficiência de sua linguagem. Por conta disso, os seis episódios passam num instante.

Neusa Barbosa


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