Solteira quase surtando

Solteira quase surtando

Ficha técnica


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Sinopse

Bia tem 35 anos e uma carreira ascendente. Porém, quando se descobre com menopausa precoce, terá apenas seis meses para conseguir engravidar. Para isso, ela quer encontrar o homem dos seus sonhos.


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Crítica Cineweb

06/03/2020

Solteira quase surtando é o exemplo clássico de um filme voltado a discutir uma questão eminentemente feminina, mas que, rapidamente, cai no machismo. A favor do longa, deve-se dizer que o ato falho é, claramente, acidental. Ainda assim, ao seu modo, revela o padrão machista estrutural da nossa sociedade, funcionando mais como sintoma do que cinema. A começar pelo título, com seu leve trocadilho metido a engraçado: por que uma solteira deve estar quase surtando? Seria a falta de um homem em sua vida?
 
Bia, interpretada pela também roteirista do filme Mina Nercessian, está na faixa dos 30 anos e leva uma vida estereotipadamente compulsiva em seu trabalho, sem tempo para relacionamentos mais sérios – eventualmente sexo casual e um caso também casual com um homem mais velho. Isso até que descobre sofrer de uma menopausa precoce, tendo apenas seis meses para engravidar. Tratamentos hormonais e outras terapias estão descartadas.
 
O filme se resume a Bia tentando achar um homem para chamar de seu que a engravide nesse período. Produção independente não lhe agrada (tem trauma, pois o pai a abandonou) e congelar seus óvulos está fora de questão (é muito caro). Em pleno ano 2020, então, uma mulher gasta seu tempo única e exclusivamente em busca de um homem. Não seria um problema na vida, afinal, como diz o feminismo, todas devem ser livres para fazer o que quiserem. Mas, no cinema, ao menos da forma como se apresenta aqui, não é apenas enfadonho, chega a ser constrangedor.
 
Não é bem a premissa do filme que não funciona – bem armada, poderia ser uma comédia razoável – mas, o entorno. Os personagens, carecendo de humanidade, são estereótipos ambulantes, interpretados por atores e atrizes (com algumas exceções) mal dirigidos. Mina é esforçada, mas faltam nuances ao seu trabalho. Numa cena, por exemplo, quando conta à médica (Tuna Dwek, uma das poucas que se salvam aqui) que sua mãe morreu há alguns meses, não se sabe se Bia, pelos ruídos que faz e com o rosto coberto pelas mãos, está rindo ou chorando. Espera-se que seja o segundo caso.
 
Estruturalmente, Solteira quase surtando é mal resolvido. Sua ideia é combinar três histórias: além de Bia, há seu melhor amigo gay (Leandro Lima), que não se assumiu para a família e corre o risco de perder o namorado, e também a irmã (Letícia Birkheuer) que largou o sonho de ser escritora para casar e ter filhos, e agora o casamento está em crise. A intenção de Mina é clara quanto ao que quer fazer com esse trio de personagens, mostrando dilemas de minorias em nossos tempos. Mas tudo é muito superficial e os dramas, um tanto gratuitos. É história demais e personagem demais para que um filme dê conta de cada um a contento, assim, as resoluções são fáceis e tolas.

Alysson Oliveira


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