Meio-irmão

Ficha técnica


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País


Sinopse

Depois de vários dias sem notícias, a adolescente Sandra percebe que, desta vez, sua mãe desapareceu mesmo. Sem dinheiro, diante da omissão do pai, ela resolve procurar Jorge, seu meio-irmão, que ela não via desde criança.


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Crítica Cineweb

26/02/2020

De todas as qualidades que se pode apontar neste notável filme de estreia da diretora Eliane Coster, a primeira é a honestidade com que trata o universo de jovens moradores da periferia de São Paulo. A história de Sandra (a ótima estreante Natália Molina) e Jorge (Diego Avelino) flui com uma naturalidade que dá a impressão de que estamos ao seu lado na rua e na vida, compartilhando sentimentos de uma existência atribulada, em que todo espaço deve ser cavado, inclusive o do afeto mútuo entre irmãos.
 
A protagonista absoluta é Sandra, garota de 16 anos que repentinamente se vê só na vida, depois que a mãe, que costuma sumir de vez em quando, desaparece de vez, sem dar notícias. Sem poder contar com um pai omisso, ela recorre a um abandonado vínculo familiar - seu meio-irmão, Jorge, que vive com o pai dele, Wilson (Francisco Gomes), e de quem ela estava afastada desde a infância.
 
Um dos pontos altos é o preparo destes atores - trabalho primoroso de Luciana Barboza -, que permite que assumam comportamentos perfeitamente compatíveis com o que se espera de sua situação. Há um natural estranhamento na relação entre Jorge e Sandra, depois de uma intrusão que ela pratica na vida dele, acumulando sobre ele suas carências. Os dois ficaram apartados depois de uma infância em comum e se tornaram quase estranhos. Por conta disso, mantêm um relacionamento a princípio tenso, também em função de todas as questões que os abalam individualmente.
 
Para Sandra, o dilema é a sobrevivência mais imediata - nem dinheiro nem comida ela tem mais depois que a mãe sumiu. Para Jorge, há um duplo desafio - lidar com as dúvidas em torno da própria sexualidade e as ameaças de homens que ele filmou no celular espancando um casal gay. 
 
Lidando com temas tão ásperos quanto o abandono familiar e a violência homofóbica, o filme de Eliane Coster trafega com densidade e respeito por essas existências, sem estereotipá-las. É uma estreia promissora, de uma diretora que demonstra estar atenta ao seu tempo, entregando o retrato de um pedaço do Brasil conturbado, de jovens encurralados por tantos obstáculos - ainda que não lhes falte a energia que pulsa não só em Sandra e Jorge, mas também em “Filé” (André Andrade), Giovana (Eduarda Andrade) e Rui (Dico Oliveira), os outros adolescentes deste canto da Vila Ré, zona leste de São Paulo.

Neusa Barbosa


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