Fim de festa

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País


Sinopse

De folga no Carnaval, o policial Breno é convocado a voltar ao trabalho para investigar o assassinato de uma turista francesa no Recife, onde mora. No apartamento, estão seu filho, Breninho, a amiga Penha e dois jovens que encontraram no Carnaval, Ângelo e Indira.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

26/02/2020

Segundo longa solo do premiado roteirista e diretor pernambucano Hilton Lacerda, Fim de Festa realiza com talento uma função difícil - falar de sua época enquanto ela acontece. Desde o título, que remete ao fim do Carnaval e a inúmeras coisas mais, o filme explora desafios, impasses e desejos do tempo presente, com uma certa amargura mas não total desesperança. A contabilização das perdas, para Hilton, tem nuances, reserva espaços de afeto e detecta sinais de resistência.
 
Breno (Irandhir Santos) é um policial que retorna antes do previsto de sua folga de Carnaval, por conta de uma investigação urgente. Em seu apartamento, em Recife, pega de surpresa o filho, Breninho (Gustavo Patriota), a amiga de infância Penha (Amanda Beça) e dois visitantes desconhecidos, Indira (Safira Moreira), namorada de Penha, e Ângelo (Leonardo Villa), chamado de Pluto, por conta da fantasia de Carnaval, que está pendurada na entrada.
 
A ocupação do apartamento torna-se o primeiro terreno de disputa entre as gerações. Breno quer seu quarto de volta, mas não se nega a preparar uma grande macarronada comunitária para os hóspedes, que se torna ocasião para uma das conversas coletivas que o filme incorpora, fornecendo um painel de nossa existência no Brasil de hoje. Ótimo na cartografia dos corpos e dos desejos, Hilton é também um grande dialoguista, que injeta uma poesia realista nas frestas das vidas de seus seres angustiados, mas cheios de procuras, com instintos acesos para a vida.
 
A galeria familiar em torno de Breno é atravessada pelo crime que ele veio desvendar. Foi assassinada uma turista francesa, Emma (Maria Barreira), em viagem ao Brasil com o marido, Samuel (Ariclenes Barroso), a sogra (Suzy Lopes) e seu marido francês (Jean-Thomas Bernardini). A única testemunha é Paulo (Geyson Luiz), um ex-viciado em crack cujo depoimento é tudo menos linear e confiável.
 
A fragmentação na vida de Breno não é menor. Há anos, ele tem um buraco no peito, pelo fim do casamento com Damiana (Hermila Guedes) - cuja saudade ele compensa com visitas eventuais à sua irmã gêmea, Cosma (Hermila de novo), um detalhe sutil que descreve o tipo de sentimento que o diretor/roteirista infiltra em sua história.
 
Intercalando as tramas de Breno, Breninho e seus amigos e a investigação em torno de Emma, o filme pulsa em suas grandes contradições, tateando também os espaços públicos de Recife em inserções acompanhadas de textos líricos, que balizam uma história que não se pretende limitada a um gênero ou reflexão únicos. 

O que há de mais instigante em Fim de Festa é justamente este seu caráter de caleidoscópio, de filme que é “sobre tudo” e tem personagens tão entranhados de humanidade, tão vibrantes dentro de suas peles. E que monstro é Irandhir Santos, um camaleão que, mais uma vez, consegue nos levar a qualquer lugar, acompanhado de um grupo de jovens atores que completam com brilho uma constelação ao seu redor. 

Neusa Barbosa


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