O melhor está por vir

Ficha técnica


País


Sinopse

Arthur e César são amigos de infância. Opostos em tudo, apesar disso, nunca se afastaram. Um dia, Arthur, que é médico, descobre que César tem câncer e pouco tempo de vida. Quando vai dar-lhe a notícia, se atrapalha e César acredita que é Arthur quem vai morrer logo. O equívoco gera uma série de confusões e aventuras.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

26/02/2020

Funciona como uma verdadeira lufada de ar fresco ver um filme como este, assinado pela dupla Mathieu Delaporte e Alexandre De La Patellière, que trata de assunto tenebroso, a morte certa de um dos protagonistas, com verdade, afeto e também leveza. A leveza possível, num filme em que a arte saboreia a vida.
 
Um grande trunfo está na dupla de protagonistas, Patrick Bruel e Fabrice Luchini, vivendo os papeis de dois amigos de infância, em tudo opostos, mas que nunca se perderam de vista. Acontece que agora César (Bruel) tem poucos meses de vida, depois de um câncer.
 
O mecanismo para injetar humor na situação trágica é um mal-entendido - quando o amigo Arthur (Luchini), que é quem pega seu exame, pretende dar-lhe a má notícia, César entende que é o outro quem está condenado. A falta de coragem e de habilidade de Arthur para esclarecer as coisas prolonga o equívoco e as confusões.
 
O fato é que há uma urgência em viver esse tempo que resta, seja o doente quem for. Vital, generoso, também impulsivo e irresponsável que é, César assume como sua missão fazer o tempo que pensa restar a Arthur o mais divertido possível. Para isso, instala-se em seu apartamento e sacode a rotina do amigo, metódico, introvertido e solitário, depois que se separou de sua mulher, Virginie (Pascale Arbillot), também amiga de infância dos dois.
 
Flui, então, a série de aventuras em que os amigos se jogam e que inclui até uma passagem na Índia - porque Arthur se convence de que é este tempo feliz que deve conceder ao amigo, ainda que ele não saiba que é ele mesmo o doente. 
 
Os dois atores defendem com brio seus respectivos papeis, Bruel, como o homem que consome todos os seus recursos e energia vivendo a toda velocidade, como se não houvesse amanhã - sem saber que, para ele, não haverá muitos amanhãs. Luchini, dentro de um dos seus habituais papeis de homem metódico e travado, aqui exibe um traço de sensibilidade e empatia que tornam seu personagem muito mais envolvente.
 
O roteiro, também assinado pelos diretores, abre espaço a algumas participações femininas que, embora secundárias na trama, adicionam sabor à mistura. Fora a ex de Arthur, Virginie, também a filha adolescente deles, Julie (Marie Narbonne) - que vê com alívio o pai libertar-se de algumas amarras que também constrangem seu relacionamento com ele - e sobretudo Randa (Zineb Triki), a bela coordenadora de um grupo de apoio a doentes terminais que se viu envolvida na vida dos dois amigos. 
 
Não seria um filme tão bom se, em algum momento, a seriedade da situação não tivesse que ser encarada, dando ensejo a algumas reviravoltas. Mas isso acontece de maneira espirituosa e sensível, celebrando vários tipos de emoção. Aprenda, Hollywood, como fazer um filme sobre o tema da morte sem ser piegas. Este não é.

Neusa Barbosa


Trailer


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