Modo de produção

Modo de produção

Ficha técnica

  • Nome: Modo de produção
  • Nome Original: Modo de produção
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2017
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 76 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Déa Ferraz
  • Elenco:

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País


Sinopse

Acompanhando os contatos de trabalhadores rurais de Ipojuca (PE) com seu sindicato, o documentário retrata as precárias condições de trabalho da região, que espelham as de outros cantos do país.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

12/02/2020

A cineasta pernambucana Déa Ferraz torna o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ipojuca (PE) o epicentro deste documentário de observação, sem que nenhuma ênfase à precariedade das relações de trabalho no Brasil precise ser dada - é só esperar para ouvir as conversas entre trabalhadores de usinas de cana-de-açúcar da região e seus advogados sindicais para ver descortinar-se diante da câmera um mundo arcaico de exploração que resiste atavicamente à transformação. 
 
Sem nenhum tipo de entrevista, o documentário Modo de Produção permite que os espectadores compartilhem porções das histórias de seus personagens, em busca de reparação por horas extras e férias nunca pagas, descrevendo exaustivas jornadas de trabalho que se estendem de domingo a domingo, em horários de 7h às 21h. Alguns lamentam o afastamento da função de aplicação de herbicidas que, apesar do perigo, permite ganho maior por adicional de insalubridade. Não raro, são trabalhadores analfabetos, que sequer sabem assinar o nome, mostrando a dura face de um país alquebrado pela desigualdade.
 
A precariedade destas relações de trabalho, já naquela época - o material bruto aqui mostrado foi colhido em 2013 - desemboca nas aposentadorias, outro setor em que os advogados do sindicato mergulham num arsenal de lacunas e problemas, além das tradicionais demoras do aparato judiciário. E tudo isso antes das reformas trabalhista e previdenciária que vieram a partir de 2016, como lembram os letreiros finais do documentário.
As conversas entre mulheres, em que uma dirigente aborda temas como machismo na divisão dos trabalhos domésticos e cuidado dos filhos e também o racismo, é um momento luminoso, na medida em que escancara a necessidade da afirmação feminina num contexto tantas vezes inóspito. Também no trabalho rural nas usinas, aliás, as trabalhadoras são discriminadas por seu gênero, recebendo pagamentos inferiores aos homens. 

Como em seu sagaz documentário anterior, Câmara de Espelhos (2016), a diretora é capaz de revelar um mundo complexo através das imagens que fluem. Em Câmara de Espelhos, era a impressionante persistência do machismo residual na mentalidade de tantos homens ali ouvidos, independente de idade e camada social. Em Modo de Produção, trata-se da viciosa sobrevivência de uma mentalidade semi-escravocrata permeando as relações de trabalho, ainda mais quando se trata de trabalho rural e de trabalhadores com pouca ou nenhuma educação formal. Pensando na tentativa insidiosa do atual governo de enfraquecer e destruir os sindicatos e a própria Justiça do Trabalho, este documentário se torna ainda mais urgente como ferramenta de uma resistência nunca antes tão necessária.

Neusa Barbosa


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